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Tempo. O bem mais valioso dos últimos tempos. Deixando o trocadilho de lado, o tempo parece estar ficando cada vez mais traiçoeiro. Quanto mais precisamos dele, menos o temos. E, quanto menos tempo temos, mais caro ele fica. E esse privilégio não é só meu, só seu ou de nossos amigos. Ele é implacável para todos, sem distinção.

Mas quando era criança, ou quando estava de férias, esse tal tempo era mais desacelerado. Acordava às 9 horas e brincava muito até a hora de ir para escola. Às vezes as brincadeiras até acabavam e ainda sobrava tempo, embora as aulas demorassem longas 5 horas. Havia ainda tempo no mesmo dia para fazer lições de casa; assistir desenho animado; jogar vídeo game, ir na casa do vizinho, ajudar a mãe na cozinha e o pai no jardim; aprender a fazer suspiro com a avó. O jantar em família eram gostosamente mais lento. Ao fim da noite, a sensação era de que o tempo sobrara.

Se antigamente era diferente e o dia continua com as mesmas 24 horas, a única coisa que explica o tempo voar atualmente só pode ser a ansiedade. Hoje já acordamos devendo para o tempo. Levantamos apressados; minutos contados para o banho e para o café da manhã (quando há); respondendo mensagens no caminho do trabalho; comemos um sanduíche ou uma besteira qualquer para ganhar alguns minutos. Tudo isso porque queremos absorver todas as informações que vêm na enxurrada diária de dados cotidianos. Não queremos perder e desperdiçar nada, tampouco esperar. Antigamente estávamos sempre esperando por algo: um carta do correio, uma visita em casa.

Ou então dávamos uma pausa com frequência: uma pausa para o café, para o bate-papo no intervalo, uma conversa na frente do portão. Hoje, não: tudo tem que ser instantâneo. Queremos chupar cana e assobiar ao mesmo tempo. Ou melhor, por que é que já não trouxeram a garapa pronta, diabo?! Assim, otimizávamos o tempo.

Recheados de mais prazeres e obrigações, as 24 horas de hoje não são mais suficientes. E, infelizmente, isso é um perigo. Mas enquanto não descobrimos a cura para esse mal chamado ansiedade, o negócio é saber controlar o tempo e disciplinadamente reservar uma parte dele para estar com a família, para amar, para jogar conversa fora com os amigos, para ler um livro.

Será que só eu sinto isso? Será saudosismo de quem já está ficando velha e que portanto quer ver o tempo passar mais devagar? Ou esse sentimento é percebido por todos?

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Sinto esta mulher. O tato. O arrepio. A minha pele.

Prolonga-se o negro nessa cena atemporal.

São sons que coexistem.

São retratos de possibilidades não exaustivas que se tocam, se confundem e se alinham.

Enlaçam-se o real e o seu complemento.

Na utopia do desejo, já sedenta, a flor se abre…

Esvai-se. Transborda. Falece. Renasce.

É o fim, mas os sons coexistem.

O silêncio se faz, ainda que os gritos não cessem.

Não sabemos, mas na verdade estamos surdos.

Solteirando pelas redes sociais