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É difícil de assumir, e sempre que me perguntam se tenho medo de relacionamento, eu nego. Porém, a verdade é que tenho medo de relacionamento sim.
Tenho medo de perder minha liberdade, medo de ter que vincular a minha felicidade à presença de alguém.
Tenho medo de me comprometer com algo que não serei capaz de cumprir, medo de fingir para agradar.
E qual a razão de eu não assumir que tenho medo? O único motivo é ter preguiça de explicar. Sei que a próxima frase será “Você precisa perder esse medo”.
No entanto, este é um medo que não quero perder. Uma vez ouvi uma frase “Coragem não é ausência do medo e sim um modo de enfrentá-lo”. Por isso, não quero perder meu medo de relacionamento, mas talvez eu encontre alguém ao longo do caminho que valha a pena ter coragem de me relacionar.
E você? Tem medo de se relacionar? Como é esse medo? É uma sensação paralisante ou que te move? É uma sentimento que te aflige ou você consegue conviver com ele? Entenda que não há problema nenhum em ter medo, desde que isso não lhe torne uma pessoa infeliz.
Não vou te prometer ficar a seu lado até que a morte nos separe
Esperar a morte é muito sádico para delimitar nossa felicidade
Não quero cuidar de você, nem quero que cuides de mim
Cuidar de alguém é muita responsabilidade para uma vida
Não quero ser seu primeiro amor
Pois não acredito que até hoje nunca tenhas amado
Não te direi que serás meu único amor
Sou capaz de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo
Promessas, cuidados e exclusividade não farão do nosso relacionamento o único nem o
primeiro, mas tenho certeza que nos momentos que estivermos juntos serei seu melhor
amor.
Nenhuma paixão é verdadeiramente livre.
Nelas, existe sempre um pouco de insanidade e cegueira.
Um descontrole. Uma obsessão. E um consequente prazer.
Um estado transiente – de quase de absorção.
Tolo em expectativas, tolo em crenças, tolo!
Esse vício na carne. Esse dilatar da pupila. Essa equação insolúvel.
Mas, senão ela, quem daria adrenalina a um corpo inerte admirando o objeto de sua cobiça?
É como estar prostrado sob o cano na expectativa do contato com um projétil mortal.
Que o vazio da monotonia é mais morte que a dor letal.
Quando conheço alguém e me envolvo, um único desejo me habita: que as horas futuras sejam nada além de uma extensão do transcorrido. Mas, passada a despedida, quem será o remetente da primeira mensagem? Quem sugere as coordenadas para o próximo encontro? Há espaço para saudade ou devemos estar blindados de recusa?
Minha ideia é planejar um fim de semana repleto do outro e obter o noticiário do mundo particular que gira do lado oposto da cidade. Porém, estou sendo consumida pelo arquejo de uma vibração no celular que salve minha a agenda da inércia.
Questiono-me se essa expectativa também habita o sujeito. E estabeleço o meu caos interior enviando um esquizofrênico ͞Olá. A resposta não tarda em chegar e construímos um diálogo que percorre gostos musicais e histórias de vida até que alguma ocupação nos usurpe daquela masturbação psicológica.
Perco eu, perde ele e perdemos tempo.
Foram tantos caracteres, emojis e risadas dissimuladas, para retornar ao primeiro estágio desse teatro: amanhã quem será o remetente?
Questiono-me onde se encontra a praticidade que nos faria reproduzir dizeres revolucionários de “vamos sair hoje à noite? ou “Estou a fim de sair com você…”
Intimidamos-nos pela probabilidade da rejeição? Ou nos acomodamos transferindo a responsabilidade para o outro?
Além de uma mistura desses pontos, suspeito que, na verdade, somos amantes dessa dúvida do remetente por não querer descobrir que não nos desejam por destinatários.
Eu era uma garota solteira, que sonhava em casar e ter filhos, quando o conheci. Beto era um carioca lindo com sorriso largo. Moço bonito, divertido e generoso. Ele tinha um ótimo gosto para música e as boas coisas da vida.
Começamos o que poderíamos chamar de “amizade com vantagens”. Gostávamos de ficar juntos, curtíamos as mesmas coisas e o sexo era maravilhoso. Porém, o preconceito sempre rondava a relação, impedindo que ela fosse assumida como um namoro ou compromisso.
Ele me via como uma menina sapeca que seria incapaz de ter um relacionamento sério. De fato, era essa a imagem que eu queria passar para ele. Afinal, ele era separado e tinha uma filha. Eu não saberia administrar tal situação, por isso, não queria encorajá-lo.
Um dia, ele criou coragem e me perguntou se não deveríamos ter algo mais. Eu disse não. Inexplicavelmente, eu recusei algo que me fazia muito bem, em troca de uma imagem projetada de futuro. Eu ainda iria me casar, ter filhos e viver para sempre com o pai deles.
Comecei a namorar logo depois. Mesmo assim, ainda pensava no Beto e confesso que algumas vezes fazia comparações entre as lembranças dos melhores momentos com ele e a morna relação que eu tinha no namoro. Porém, meu namorado queria se casar, ter filhos e ter uma vida dentro dos padrões que eu sonhava.
Após seis meses de namoro, no dia do meu aniversário, recebi do Beto um contrato de relacionamento onde ele descrevia como seria o nosso “felizes para sempre”. Seríamos um casal com uma rotina perfeita, mas com todos os direitos individuais preservados. Uma série de situações maravilhosas que vivemos foi listada como regras de nosso relacionamento. Confesso que meu coração parecia querer sair do peito, e que fiquei muito propensa a aceitar. Porém, naquela noite, meu namorado fez uma linda surpresa em uma suíte master de um hotel de luxo que me impossibilitou de tomar qualquer decisão.
No dia seguinte lá estava eu, dividida novamente entre o casamento que sempre sonhei e os momentos felizes que eu tinha passado com o Beto. Meus medos e preconceitos me levaram a optar pelo que eu entendia ser a vida perfeita, que o Beto não poderia me dar, pois existia uma ex-mulher e uma filha.
Me casei e tive um filho. Porém, o felizes para sempre não durou mais de 6 anos. Hoje sou feliz sem o casamento que eu tanto sonhei e o meu medo é comprometer a minha liberdade, o meu relacionamento com meu filho e outras coisas que me fazem tão feliz.
Quem diria: hoje tenho ex-marido, tenho filho e não tenho namorado, nem perspectiva de algum romance.
Ainda tenho na memória os maravilhosos momentos que passei com o Beto, e quando me pergunto o que teria acontecido se eu tivesse aceitado o contrato de relacionamento, penso que talvez as memórias maravilhosas só existam pelo fato de nunca termos dividido responsabilidades, nunca termos vivido a rotina do lar e nunca termos enfrentado nenhum problema juntos.
Será mesmo que perdi alguma coisa? Será que desperdicei uma oportunidade?
Talvez, mas aprendi a lição de não trocar a felicidade por uma fantasia. Não há como alterar o passado e as escolhas que fiz, podem ter me causado algumas dores, mas também me trouxeram ao meu atual patamar de felicidade, que é muito real e do qual não abro mão.
Nós éramos amigos e eu frequentava a casa dele para ouvir os desabafos de sobre uma ex-rolinho e eu acabava falando dos meus. Funcionava assim: eu ia pra balada, saía de lá e parava na casa dele, já que ele não curtia baladas. Era muito sério e focado em trabalho. Conversávamos e ia embora, quase todos os fins de semana. Tímido, o beijo só aconteceu após uns seis encontros desses. A sintonia foi total, mágica, e naquela noite acabamos nos estendendo.
Como não assumimos nada sério (e trabalhávamos juntos), os encontros eram sempre na casa dele e nossa sintonia era cada vez maior. A gente assistia TV, falava da vida, jantava ou almoçava, e claro, transávamos. Mesmo assim, eu não conseguia mais viver nessa situação. Na minha cabeça, eu imaginava: “Se estamos juntos e está gostoso, por que não assumir?” Então acabei me distanciando por não suportar esses encontros às escondidas e paramos de nos ver.
Namorei outros rapazes e era sempre assim. Quando eu estava com alguém, ele tratava de me procurar. Ficamos mais três vezes sempre do mesmo jeito: escondidos, na casa dele, e sempre muito gostoso.
Na quarta vez, ele me contou que sonhou comigo. Contou o sonho e todas as maluquices que imaginou. Também contou que a ex havia procurado por ele, mas que não tinha dado bola, afinal, ele não queria retomar o namoro. Não senti firmeza. Acabamos ficando e foi maravilhoso como todas as outras vezes, mas por algum motivo, o tempo todo durante aquela noite, eu tinha certeza de que seria a última vez. Eu beijava sua boca na certeza de que, aquela noite, seria a última. Afinal, os toques, os beijos e o jeito de falar já não eram os mesmos.
Às vezes, penso que ele poderia estar me usando, aproveitando dessa situação. Mas eu, por ser solteira, também me aproveitava. Queria curtir o momento, sem pensar no depois. Quem é que nunca se jogou sem pensar nas consequências? Mas nós, mulheres, às vezes não conseguimos separar, e acabamos nos machucando.
E aquele foi o último beijo, o último toque, a última janta, a última conchinha, a última transa, a última conversa. Eu sabia que seria a última vez.
Anita Duarte
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