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vício

Impressionante como esse bichinho chamado celular – com todos seus apps e funcionalidades – tem transformado a vida da gente.

Outro dia estava em um restaurante. Uma criança de uns 2 anos de idade começou aquela manha, aquele choro que você logo pensa que vai ser longo e sofrido. Mas logo os pais simplesmente tiraram da cartola a “chupeta” desse milênio, e a menina logo se calou.

E minha avó, que acabou de fazer 82 anos e vive grudada no Facebook via celular, postando mensagens de automotivação, piadas e de bate-papo no WhatsApp com as amigas?!  Definitivamente ela não vê mais novela. E após o almoço, aquela cochilada deu lugar aos vídeos e fotos do celular.

Nossa vida, nosso dia a dia está 200% registrado nele: de manhã cedo, põe-se o celular para despertar; no ônibus ou no metrô, mensagens aos amigos e uma boa música. Durante o dia, e-mails do trabalho, mensagens aos amigos, namorados e familiares. Às 15 horas, uma pausa rápida para pagar as contas, fazer transferências bancárias ou quiçá fazer uma comprinha rápida  numa loja lá da China.  No fim da tarde, chama-se um táxi pelo celular ou atualiza-se a cada hora das notícias do Brasil e do mundo. Na volta para casa, avista-se um boa imagem e já se registra  aquele momento. À noite, pede-se uma pizza on-line. E, ao dormir, checa-se o que os amigos fizeram ou falaram de bom.

Foi daí que eu, um pouco mais velhinha, me deparei sobre como essa milagrosa tecnologia nos facilitou a vida ao mesmo tempo que nos tornou um pouco solitários e dependentes. Um dia resolvi desafiar uma amiga super jovem, que com seus 24 anos cresceu nesse mundo “celulótico”. Em 30 minutos que eu estava num almoço com ela, creio que ela conseguiu ficar apenas 5 minutos sem o celular.

“Marina, você topa ficar 1 semana sem celular e eu então lhe pago R$ 1.000 ?”

“Nem pensar!”

por -
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“A sede por adrenalina é tanta que os olhos cegam.

Qualquer cheiro ou som que aguce os sentidos representa uma potencial fonte de satisfação.

Recebo o álcool e o ecstasy.

Na carne um desejo latente. Na mente o interior da tua saia.

Reinvento-me para essas vidas paralelas.

 

No trago absorvo o vazio e me atiro à feliz desgraça daquela janela do tempo. Em um ritmo frenético apago as memórias. Regurgito a alma. Abandono a casca. Despeço-me de mim. Por fim desligo. Sobram cicatrizes, cansaço, engulho. É a própria ressaca impregnada. Finjo que nunca mais e aguardo em repouso pela próxima janela.

No sexo invado a matéria, só quero adentrá-la. No ciúme quero sangue. Cravo as unhas, quero perdão. O pensamento não cessa, há pausa, há silêncio, mas ouço o sussurro. Parece demência, mas é só saudade. Tenho força, vou em frente. E pela covardia, lamento.

São golpes de palavras. Ficam o pó e os cacos não varridos. Estou consumida. É a própria ressaca impregnada. Dissimulo promessas e me deixo respirar até que o ar por fim me sufoque.”

 

Solteirando pelas redes sociais