Bela, Inteligente e Bem Sucedida
Sabe aquele dia que você senta em frente a TV com um balde de pipoca na mão para assistir qualquer coisa e fica apenas observando se a atriz é bonita, se está bem vestida, se a maquiagem estava boa, etc e tal… E confesso que muitas vezes viajo em pensamentos maravilhosos, sonhando em viver aquela vida incrível, da bela, rica, paparicada, de pouco esforço, que conquista a todos com um sorriso.
Opa, POUCO ESFORÇO? Será mesmo que ser bonita torna a sua vida incrivelmente maravilhosa?
Nunca consegui olhar para uma bela mulher e pensar nela com dor de barriga, uma unha encravada apertada em um scarpin e muito menos em todas as angustias que invadem o pensamento dela toda vez que está em busca de conquistar seus sonhos e alguém vem lhe dizer que ela não precisa se preocupar, porque simplesmente ela é bonita.
Enquanto as mulheres cujo os traços não encantam os olhos, segundo os padrões da sociedade, causam a compaixão, a beleza por vezes atrai uma certa dose de crueldade dos seres humanos. Porque se você já é bonita, como poderia ser simpática, inteligente, ter vontade e coragem para correr atrás dos seus sonhos? Aliás, quem é bonita ainda tem direito de ter sonhos? Afinal, uma mulher bonita poderá casar com quem ela quiser e ser feliz para sempre, por que haveria dentro dela qualquer vontade de independência?
Se aquela mulher que vive dentro daquele corpo bonito, por infelicidade do destino, tiver olhos azuis e for loira, minha cara, a certeza da burrice está implícita.
É impressionante como o preconceito é democrata, tem para todo mundo, a bonita é burra, a quarentona bem sucedida é mal amada, aquela que não tem vaidade é sapata, e por vai uma lista infindável de preconceitos.
Se me deparo com alguém cuja beleza encanta os olhos meu único pensamento é: ” Que sorte! “. Mas atrás deste encanto pode haver uma mulher angustiada e culpada por ser bonita sufocada dentro da beleza não aceita pelo padrões sociais, pois a casta que corre atrás, desenvolve sua inteligência não aceita a beleza.
Aí você lê tudo isso e pensa: ” O que será que a Juliette estava assistindo para levantar tantos questionamentos?” Era apenas uma comédia romântica, que eu não sei dizer o nome e nem a história, porque me perdi em minha filosofia interna enquanto o filme acontecia. Bom vou ter que procurar um outro filme para assistir.
Até a próxima filosofia.











