Eu sou mulher
“I am woman, hear me roar. In numbers too big to ignore
Eu sou uma mulher, me ouça rugir. Em números grandes demais para ignorar
And I know too much to go back an’ pretend. Because I’ve heard it all before
E eu sei demais para voltar e fingir. Porque eu já ouvi tudo isso antes
And I’ve been down there on the floor. No one’s ever gonna keep me down again.
E eu estive lá no chão. Ninguém vai me rebaixar outra vez.”
Nós, mulheres, somos símbolos de tantas coisas… E, de tantos, existem muitos que não gostaríamos de representar. Para algumas, somos a projeção de uma voz quando, na verdade, desejamos o silêncio. E, para outras, estamos a digerir o grito que acabamos de tragar.
Na minha casa, ser formado em medicina era sinônimo de ser MÉDICO – assim mesmo, sem possibilidade de flexão de gênero. E, somente anos após a residência, é que meus pais, enfim, enxergaram o meu fracasso: não existiram filhos, noivado, casamento nem dotes culinários.
Voltar no tempo para remexer esse baú é mais que folhear um álbum de família. Me faz perceber que o descaso que recebi por buscar uma profissão não se encerrou nas paredes do meu antigo lar e nem a mim. A vida profissional das mulheres, no geral, sempre pareceu ser secundária quando comparada àquelas atividades que, em algum momento, foram anexadas ao seu papel de fêmea.
Na divisão dos papéis, nos foi delegado o ônus histórico de representar a figura de um ser maternalmente dócil e procriador, deixaram-nos apenas as rotas que encontravam em suas extremidades o fogão e o tanque. Não escolhemos representar a figura de um animal domesticado nem sermos condenadas por nossa conduta sexual – seja esta leviana ou celibatária.
Em suma, o fato é que não precisamos de rótulos, somos mais do que qualquer um que ouse nos traduzir.
A nossa representatividade vem da força de trabalho de aproximadamente 43 milhões de mulheres brasileiras – participantes da PEA de acordo com a PNAD de 2011 , inseridas em diversos setores da economia. Somos os indivíduos que mais estudam no Brasil , os que menos se envolvem em acidentes de trânsito e os que mais contribuem com causas sociais. Já cruzamos muitas das linhas mais representativas de poder no aspecto social, econômico e político.
A vitória sobre a opressão é a nossa realidade, ainda que tenhamos manchas de violações sexuais e agressões físicas, retaliações de uma moralidade corrupta – que tende ao que lhe é conveniente – e desvalorização de carreira e de salários. Esses pontos significam que a mensagem de autonomia e liberdade que viemos ecoando até aqui precisa ser mais intensa.
Temos influência absoluta nas linhas de consumo e produção do país, ajustamos a nós o comportamento de vários mercados, lideramos os lares e solidificamos a manutenção domiciliar. Somos a expressão de liberdade, luta e transgressão. Não há motivos para que nos usem – corpos e mentes – na divulgação de um recado que não queremos dar: a nossa força é o vetor do que queremos ser.
O trecho citado no início é uma canção de Helen Reddy, suas palavras são no todo, homenagem, incentivo e uma breve descrição da singularidade e da luta feminina. Mas, em seu refrão, habita a síntese das 465 palavras que escrevi aqui:
“Oh Yes I’m wise. But it’s wisdom born of pain
Oh, sim, eu sou sábia. Mas essa sabedoria nasceu da dor
Yes, I’ve paid the price. But look how much I gained
Sim, eu já paguei o preço. Mas veja o quanto eu ganhei
If I have to, I can do anything
Se precisar, eu posso fazer qualquer coisa
I am strong (STRONG)
Eu sou forte (FORTE)
I am invincible (INVINCIBLE)
Eu sou invencível (INVENCÍVEL)
I am WOMAN!
Eu sou MULHER”
(Helen Reddy)
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