Por relacionamentos salubres
Só um tipo de paixão me interessa: as vigorosas. E isso não remonta viver sob a incessante caça de relações utópicas, mas sim, estar sob a tutela da salubridade e da boa vontade.
Afinal, relacionamento é vontade, é desejo, é querência. Significa alinhamento de ânimos sem a garantia de permanência dos ponteiros e, também por isso, significa ajuste. As relações de sucesso não violam, não agridem e não comportam lástimas – apesar das divergências.
Figuram uma superfície homogênea, plana ou montanhosa, mas sem talhos, cavidades ou golpes, a premissa máxima é uniformidade.
A rotina dos elos amorosos é doação, com eventuais cenas de escambo. Comportam a sexta-feira tóxica, o sábado constipado e o domingo vadio, mas por resultante cativam onipresença.
Os vínculos sadios não regem cárceres, não há clausura nem furto: é entrega ou nada. São multidimensionais e através de lentes subjetivas, palpáveis.
Dizem que relacionamento é paciência, para mim é, antes de tudo, paz. E, mesmo na plenitude do caos há de se encontrar uma trégua.
Não é que eu queira só o nirvana das coisas, a volatilidade do júbilo significa tortura. No fim das contas qualquer relação lhe usurpa uma parte da vida, quero ficar com aquelas que me regozijem. Conexões baseadas em flagelos deixaram de me seduzir, pois são passos a caminho do suicídio.












