Sonho: distância da realidade
Fomos educadas para os sonhos. Estes nos faziam mais propícias à dura realidade: o anseio que morava em nós desde a meninice fazia-nos fortalezas para décadas de monotonias angustiantes, absurdos ou até mesmo sofrimentos físicos e/ou morais. E a maternidade nos empurrava a qualquer custo para a frente. Casamentos felizes ou não eram nosso destino.
A docilidade, embutida em nossa personalidade, fez-nos ganhar os séculos, pensando ser isto a verdadeira feminilidade.
Sacrifício era grandeza de caráter. E uns e outros ainda insistem em continuar com esta crueldade. A mulher por causa da cria submetia-se e acostumou-se a ser um indivíduo que obedece, serve, aceita, trabalha muito… Nossa prole, como as da leoa, necessitava de proteção e aceitávamos um alfa nem sempre à altura das nossas expectativas.
Veio, porém, a civilização. Chegou a necessidade do trabalho feminino (lembremo-nos da Segunda Guerra) e a muito custo estamos conquistando um lugar ao sol e repensando valores e nossas atitudes. Algumas culturas, infelizmente, ainda beiram à Idade Média, para desgraça de milhões de seres, mas, brutalmente, mais para as mulheres.
O que é ser de fato mulher? Estamos simplesmente atreladas à maternidade, já que ela é insuperável como realização pessoal ou podemos e queremos mais como seres humanos?
Será que o útero e o que temos entre as pernas nos retiram direitos e só nos impõem deveres? Temos que ser sérias (o que é de fato isto?), dedicadas, altruístas, donas de casa por excelência, funcionárias não aptas à liderança, companheiras obedientes entre tantas outras “virtudes”…
Queremos, é mesmo, ser o que somos, indivíduos diferenciados e que buscam sem amarras seu próprio caminho. Já conseguimos bastante, falta outro tanto para que não tenhamos que nos justificar a pais e mães, irmãos, maridos, chefes, vizinhos e outros, e, principalmente, a nós mesmas. Termos coragem de ser o que quisermos. E pronto.
Ilustração: agradecimentos a Wallpapers Art Painting (background-kid.com)













Texto bastante interessante. Tenho 20 anos e penso em casar, ter filhos.
Mas sinto que esse é um sonho “imposto” pela minha família. se eu não quiser srguir esse caminho tenho certeza que serei mal vista diante dos meus pais.