Armário
Sinceramente, não costumo reparar na roupa das pessoas, mas outro dia encontrei no banheiro uma mulher que passava dos seus 50 anos e, impulsivamente, foi aberta uma exceção. Ela usava um vestido sexy, não muito curto, mas agarrado ao corpo o suficiente para evidenciar todas as suas curvas e saliências.
Essa inocente personagem do meu dia não era dona de um corpo escultural, em seu conjunto de saliências somavam-se também aquelas desagradáveis que se aglutinam em nosso abdômen e em nossas coxas.
O que me chamou atenção para a cena é que não era alguém explorando seu poder de sedução. A sensação que tive foi a de ver um corpo enrolado em um pano e só, de forma que ela, simplesmente, já havia descartado todos os padrões pré-estabelecidos (por terceiros) para ter o direito de estar naquela peça.
Posteriormente, ouvi comentários clichês sobre o ridículo da combinação (vestido mais corpo), mas a minha leitura do fato é de que se trata muito mais de um ato de coragem do que qualquer outro exercício de exibicionismo gratuito. Vi aquele ser como a inspiração de algo que poucas pessoas fazem: vestir as peças escondidas no armário e sentir-se livre na convivência com seu próprio ridículo.













Se todos fôssemos realmente livres, o mundo seria um lugar muito mais ridículo, mas absurdamente original. Ficaria com o ridículo original, se pudesse…