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O impacto de uma vida mal vivida pode ser mais devastador que qualquer ausência de relacionamento ou crítica da sociedade.

Pessoas que insistem em um relacionamento movido a conflitos, que se anulam para viver a vida do outro, ou que abandonam seus sonhos e vontades para manter um padrão social, dificilmente conseguem ser felizes.

Não estou dizendo que relacionamentos devem ser como em conto de fadas. Não acredito em felizes para sempre, nem o tal amor verdadeiro. Mas creio fielmente, em cumplicidade, respeito e parceria para que cada indivíduo possa dar o seu melhor em um relacionamento.

Também não estou falando de um modelo de relacionamento empacotado em monogamia. Cada casal sabe o que valoriza. Relacionamento aberto, sadomasoquismo, cada um na sua casa, ou juntos e grudadinhos, são modelos que podem ser perfeitos para parcerias de uma vida toda. Basta que ambos acreditem nisso, e que o respeito aos valores e aos sonhos do outro seja sempre mantido.

Porém, relacionamentos onde há constante julgamento dos valores do outro, dificilmente funcionam. Se uma pessoa critica a outra constantemente e a coloca para baixo, acabando com sua autoestima, ou ainda se há presença de violência moral, física, emocional ou financeira, ambos se tornam vítimas de uma relação que contamina filhos, e qualquer um que conviva com o tal casal.

Digo vítimas, pois uma relação dessas impede a felicidade de ambos, tanto o agredido quanto o agressor vivem de forma perturbadora. Parece lógico, mas qual a razão por tantos relacionamentos permanecerem nesse ciclo por anos e anos?

Em alguns casos, isso se explica pela própria educação recebida ao longo dos anos. Em outros, há uma fragilidade psicológica em seguir em frente, e existem também os casos de falta de clareza do futuro. A pessoa fez um mapa mental do felizes para sempre e continua insistindo em fazer isso funcionar e assim pode chegar ao fim da vida sem ter vivido plenamente.

Tenha certeza que romper um relacionamento não é fácil e haverá um período de tristeza, mas é melhor ter um momento de tristeza do que ser infeliz por toda a vida.

 

Parei no bar para tomar uma taça vinho bem gelada, porque eu estava merecendo. Enquanto o mundo pensa “Ela está sozinha, coitada!”,  eu respondo através do meu olhar “Como é bom ficar em silêncio para ouvir meus pensamentos divertidos.”

Enquanto degustava o meu rosé comecei a observar as pessoas, na verdade, os homens… Adoro observar como eles se comportam! A minha imaginação é uma ótima companhia para este tipo de ocasião.

Alguns chegam em matilha, normalmente prontos para atacar, olhando ao redor à procura de uma presa. Parecem descolados, mas no fundo são bastante inseguros e têm como objetivo principal provar ao amigo o quão bons na conquista eles conseguem ser. Neste grupo, encontramos diversos casados em busca de diversão e satisfação rápida.

Tem o lobo solitário, que normalmente fica no balcão ou em algum dos cantos do bar com uma long neck nas mãos. Mantém a cabeça alta e é um charme.  Confesso que fico confusa se eles são deuses gregos, sobreviventes do Olimpo, ou estamos diante de um cara cansado que não está a fim de papo com ninguém mesmo. Talvez seja bem mal humorado, sem assunto e com bafo.

Me viro e começo observar os rapazes com suas respectivas namoradas. Nesta situação temos dois tipos de homens:

Aqueles que concordam com tudo que a mulher fala.
Aqueles que se separam da mulher na mesa e aproveitam para falar assuntos de homens enquanto as mulheres falam entre si. Talvez seja a única liberdade que possuem de estarem sozinhos.

E aí eu me pergunto: “Será este o tipo de relação perfeita?”.  Eu acho tão superficial e me dá uma sensação que é uma vida de aparências, onde todos os sentimentos estão engarrafados em algum canto obscuro do coração.

Sim, também tenho instintos para procurar o cara mais gostoso do bar.  Bem, não foi um bom dia para este fim… Não havia esta espécie disponível nesta data… Uma pena!

Enquanto peço a conta,  percebo que meu diálogo interno foi consumido pelo senso comum, os homens me parecem todos iguais. Facilmente seria possível colocá-los em um cluster, assim como faço para definir as estratégias de marketing da empresa.

E quanto a mim? Talvez  eu seja igual a tantas outras mulheres que pertencem à mesma tribo que a minha. Continuo sonhando em encontrar um cara comum, que seja muito legal, para me acompanhar na divertida aventura de viver.

Vou correr para casa, porque o cachorro deve estar ansioso para dar a nova divertida volta noturna.

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Éramos nós e uns poucos metros quadrados. Não tínhamos varanda, mas havia sempre a companhia para assistir o pôr do sol da janela. Tínhamos o mesmo quarto, o mesmo armário e, com sorte, o mesmo luar no nosso céu. Era apertado, mas tínhamos tantas palavras e um riso fácil para esperar o sono chegar.

Um dia, quando acordamos, os metros quadrados tinham aumentado, havia paredes, portas e trancas sob o teto e já não se ouvia a risada. Era o mesmo caminho: da porta de entrada à minha cama, às vezes cantarolava o meu silêncio e às vezes só dormia. Em nossos poucos encontros, a distância do hall não nos permitia ouvir as nossas vozes.

Somos o mesmo velho par, mas há muita coisa por aqui. Só não entendo se nos perdemos nesse espaço mal aproveitado ou se, na verdade, não somos o suficiente para completar nossos vazios.

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Ontem almocei com a Duda, minha amiga da época da faculdade, e tive um daqueles papos que ficam martelando na cabeça por dias.

– Eva, te falei que fui aceita em um curso de mestrado super legal na Espanha?

– Mesmo, Duda? Que legal! E você vai quando?

– Infelizmente acho que não vou conseguir ir. Esse ano estou sem grana e a partir do ano que vem as coisas se complicam.

– Complicam como? Por que não tentar ano que vem?

– É, Eva, você sabe como é, né? Daqui a pouco eu caso, tenho filhos, fica muito difícil viajar assim.

– Ué, Duda, não sabia dos seus planos de casamento em um futuro tão próximo!

– É…. eu não tenho. Por mim, eu nem casaria, mas a pressão do Eduardo e da família está difícil de aguentar. Ele já tem 27 anos e quer ter filhos antes dos 30 anos. Se eu não for à Espanha este ano, não poderei ir nunca mais.

Demorei alguns segundos para me recuperar do meu estado de choque e troquei o assunto.  Estou desde ontem com esse tema na cabeça. Me coloco no lugar dessa menina. Pode até ser que eu queira casar um dia, mas vou querer um marido que só quer se casar por pressão?  Como  assim? Quer dizer que casamento é obrigação a ser cumprida? Que tem um tempo certo para casar só para poder ter filhos e que devemos abandonar toda e qualquer vontade em prol desse afazer? Não tem nada de errado em querer casar, mas fico angustiada com essa sociedade que força seus jovens a uma vida matrimonial indesejada, simplesmente para atender essa expectativa de vida.

Na minha visão, aliança não equivale à estabilidade, segurança ou felicidade, e que, para se casar, é preciso que os dois parceiros sintam que o casamento é a melhor forma de dar continuidade na relação. Tenho meus sonhos, objetivos e, se um dia eu quiser um casamento, espero que ele me queira também. Bom, é isso que eu penso. E você?

 

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Depois de todos esses anos há algo que ainda lhe cause estranhamento nessa vida?

No elevador, portas fechadas, dois amigos e o início do silêncio.

“Durante esses anos de vida, para além da minha profissão, já enfrentei: rostos dilacerados e hostilizados; uma insônia que se fazia viva para guardar o corpo de pesadelos; cicatrizes profundas que traduziam sobrevivência e, por diversas vezes, fui assombrada por expressões vazias de eterno luto. Em suma, me enojei demasiado pelo contato com as consequências de cínicos amores.

Não sou fã de declarações de amor, me incomoda assistir a performances baratas de dominação/submissão e pseudofelicidade. Confesso não entender a necessidade de viver uma amostra eloquente de sentimentos e estar sempre a prender-se numa corrente de gritos e mordaças. As almas, que como eu, se deixaram vagar por um aspecto singular de sentir, ora unilateral ora multi, sabem que também se ama com poucas palavras e, inclusive, na calmaria.

Em nada me oponho à gramática propriamente dita, nem às carícias faladas, nem aos apelidos ridículos, minha rixa é pontualmente reconhecida nas vezes em que surtos de posse, cenas de violação, cárcere, humilhação, traumas, flagelos, perseguição, medo e covardia são tratados todos no mesmo plano: o amor – numa cegueira que exige e cede vadios perdões. São três palavras virulentas a ratificar que um transtorno usurpe relações de benevolência.

Portanto, no que tange a mim, escolhi ser ausente àqueles afetos que estão brutalmente expostos pelos arranhões da pele e mantém lascas de pele por debaixo das unhas. Sempre que me deparo com uma possível armadilha me ponho a repetir o velho mantra da salvação…”

Uma voz a resgata de seu torpor e após vinte andares de pausa consegue responder.

Só uma coisa ainda me assusta: tenho medo das pessoas que muito se valem do “eu te amo”.

Segurando a porta do elevador o sujeito questiona:

– E o que faz quando este tipo lhe dirige tal afeição?

– Primeiro agradeço e, na sequência, sugiro que as introduza – as tais palavras – em seu próprio reto.

Ele ri, mas ela não se fez hesitante ao projetar a última fala.

Solteirando pelas redes sociais