Brasil republicano. Ainda somos bananas.
Semana passada, assisti a um filme de Woody Allen, da década de 70, chamado Bananas.
Ele se passa num lugar fictício chamado San Marcos, e tanto o título como o tema do filme me fazem relembrar de um conceito que ouvia muito quando criança (seja em rodas de conversa dos mais velhos ou por uma antiga marca de roupas americanas).
República de Bananas. Um termo pejorativo criado no início do século 20, para referir-se a países politicamente instáveis, submissos a outros países e sempre com governos corruptos.
Geralmente localizados nas Américas Central e do Sul, possuem uma economia basicamente exportadora de commodities com ínfimos incentivos e investimentos ao desenvolvimento industrial e tecnológico internos.
Quanto ao aspecto social, normalmente apresentam uma grande classe de miseráveis e uma pequeníssima elite, detentora do poder político e econômico, explorando tudo a seu favor e alimentando a corrupção.
Traduzindo esse conceito para os tempos atuais, falamos de um poder altamente concentrado no governo central, dominado por uma patota que transforma a coisa pública em “cosa nostra”. Uma instituição que distribui privilégios aos “amigos do rei”, enquanto espalha custos, especialmente sobre uma classe esmagada pelos impostos e sem representação política. Ou melhor, uma classe politicamente representada por palhaços, jogadores de futebol e homofóbicos.
Tradicionalmente, uma república nasce da insatisfação com as ações econômico-sociais da monarquia. No Brasil de 1889, a insatisfação maior residia no alto índice de analfabetismo e pobreza. Passados mais de 120 anos, estamos na mesma.
Um modelo republicano pressuporia um modelo mais democrático, justo e igualitário. Já numa República de Bananas, acostuma-se com termos como mensalão, ditadura e compra de votos.
Postos todos esses conceitos (originais ou mais modernos) sobre República de Bananas, até uma criança não teria dificuldade de concluir que a fictícia San Marcos de Woody Allen poderia se chamar Brasil.










