Quando descobri que uma pessoa desiludida não se engana fácil, passei a observar minhas ilusões e me libertar delas.
Quando uma pessoa está iludida com qualquer tema, ela está vivendo de expectativas. Podem acreditar, existem muitas pessoas vivendo na ilusão e isso as afasta de viver uma vida real e completa.
Alguns se iludem ao apostar sua vida em um romance que durará para sempre, sem saber como será o amanhã. Outros se vivem iludidos que se morassem em outro país suas vidas seriam melhores.
Há também os iludidos profissionalmente, que vivem pensando que se tivessem outra carreira teriam mais sucesso.
Tenho algumas amigas que vivem a dizer que se tivessem se casado suas vidas seriam diferentes e outras que dizem o contrário. O significado da palavra ilusão remete ao erro de percepção ou de entendimento. Sendo assim, uma pessoa que não viveu certas experiências, pode errar em suas percepções de uma vida melhor que a sua e, deixar de ser feliz pelo que tem para se tornar infeliz com o que não possui.
A ilusão é também traduzida pelo engano dos sentidos ou da mente, o que pode fazer com que uma pessoa interprete gestos, palavras e atitudes alheias com seu invés de desejo. A pessoa acredita que seu amor é correspondido, sem que o alvo dessa paixão nunca tenha feito uma declaração clara de seu amor.
Pessoas iludidas sofrem quando descobrem a verdade sobre sua interpretação errônea. Quando isso acontece elas mergulham no sentimento de tristeza, frustração, desapontamento, decepção que a desilusão provoca. A única forma de saber a diferença entre a ilusão e a realidade é encarar sua percepções e interpretações.
Se você acha que o gato está apaixonado e que ele não teve coragem de dizer, questione. Se você acredita que viver em outro país seria melhor para você, procure pesquisar ou passar um tempo vivendo no local, mesmo que seja por um período para descobrir a verdade.
Uma pessoa desiludia não precisa ser alguém que sofreu desilusão, mas que se libertou das ilusões. Não precisa ser alguém que foi enganada e sim não se deixar enganar. Você não precisa viver se decepcionando, basta ser uma pessoa desiludia e ser feliz com o que tem.
O inverno, em geral, deixa a maioria das pessoas melancólicas e saudosas. Em alguns desses momentos tomamos decisões erradas. Eu, como pobre mortal, não sou diferente e nem menos suscetível a esse tipo de emoções.
Embora seja independente, e tenha uma vida bem dinâmica e divertida, por vezes me sinto melancólica e sinto falta de ter saudades. Em minha última reflexão passei a analisar a frase do Caetano Veloso “Ter saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio”.
E aí vai um desabafo terapêutico. Tenho caminhado vazia em relação a saudade de um amor. Tenho saudades de momentos, de situações, de amigos, de parentes, e de muitas coisas. Porém, não tenho saudades de ter alguém ao lado em compromisso amoroso. Não tenho saudades de um rosto ou de um corpo especifico.
Percebi que a decepção que meus amores me trouxeram, geraram falta de admiração. Então, por mais que eu tenha tido períodos de sexo bom e bons relacionamentos, eles não foram suficientes para me deixar saudades.
Em dia de frio e chuva, ou ao ouvir uma canção romântica, tento buscar em meu relicário amoroso alguém que me faça o peito doer. Infelizmente não encontro.
Realmente considero caminhar vazio um tanto triste. Sinto falta de ter aquela saudade que me faltava o ar, saudade de lembrar de um toque que me arrepie o corpo, não por tesão, mas por emoção.
Porém, não vim ao mundo para ser triste, e por isso coleciono bons momentos para lembrar não necessariamente vinculados aos amor passional por um homem, mas por amor livre dos amigos, dos lugares e das situações marcantes e emocionantes que vivi.
Ter saudade até que é bom e caminhar vazio depende de suas experiências vividas. Viva intensamente e nunca será completamente vazio. No mínimo, será um coração meio cheio.
Estava à toa na vida e uma amiga me convidou pra Solteirar. Morri de orgulho e aceitei o convite, claro! Então vou passar de vez em quando pra falar um pouco de tudo: da minha visão do mundo, da minha vida na Califórnia, do Brasil que tanto amo, de comida etc. Ah! E de gatos. Juro que tento, mas não consigo deixar de falar dos peludos que me trazem tanta felicidade.
Meu primeiro texto é a junção de dois posts que publiquei no Facebook, que contam um pouquinho da minha experiência aqui em Sunnyvale, cidade da Califórnia, onde moro há 2 meses. Vamos lá:
Retrospectiva “nuvem negra” USA 2014:
- No departamento de imigração, para xerocar meus dedinhos, meu inglês é muito “márromeno”, mas nem fez falta, pois fui atendida por um mudo (isso mesmo, um MU-U-D-O).
- Calibrador de pneus quebrado e nenhum “cabra-hômi” se ofereceu pra ajudar. Então, eu mesma tive que pedir para um transeunte (adoro essa palavra tosca) se oferecer!
- A bomba de gasolina e eu demoramos pra nos entender, mesmo no frio de 10 graus ela não queria colaborar.
- Alicate de cutícula: 43 dólares.
- Uma hora (UMA HORA) de fila com a loja lotada de pessoas que nunca escovaram os dentes e tomam banho só para o Ano Novo. Saí de lá intoxicadade tanto cheirar velas perfumadas. Isso na Black Friday.
- Compramos cadeiras pela internet e, para não pagar o frete, meu marido me deu o endereço do depósito. Para chegar em Tracy, um deserto rodeado por gigantescos depósitos, tem que se pegar 5 estradas, passar por muitas fazendas de gados e de energia eólica até chegar na “Rio-Bahia” americana, onde há uma via de ida e uma de volta. Na primeira vez, fui com uma amiga, e ao chegar na “Rio-Bahia” tivemos que fazer o retorno porque houve um acidente que fechou a estrada. Da segunda vez, fui com o marido, que não agendou a retirada e não pudemos levar as cadeiras. Só deu certo da terceira vez.
- O mercado de carnes, leite e ovos americano é bem mais assustador pessoalmente do que nos documentários.
- Fiquei presa no terraço por mais de 2 horas e fiz um post sobre isso no meu perfil pessoal no Facebook.
- Mesmo sem aulas de teatro, consigo fingir pra mim e pra todos que não estou com saudades dos meus velhos.
- Nada se faz a pé.
Retrospectiva “nuvem azul bebê” USA 2014:
- As cadeiras retiradas em Tracy são lindas.
- Os gatos mais bonitos do mundo comem matinho do terraço.
- Tomamos vinhos e cervejas legais por preços bem baratos.
- Reencontramos amigos bacanas e fizemos novos que estão valendo muito a pena. E tem mais gente chegando.
- Temos visitas em casa todos os finais de semana, com criança fofa e tudo (desconfio que eles venham aqui pra fazer gatoterapia).
- Amigos do Brasil fazem contato sempre, o que faz com que a gente se sinta apoiado.
- Meu pai continua bobo, mesmo comigo longe, e minha mãe finge muito bem que não tá nem aí.
- Minha cintura de quibe continua do mesmo tamanho.
- Não comer carne aqui é mais fácil do que no Brasil.
- Medo de assalto não faz mais parte do dia a dia.
- Motoboy é mercadoria inexistente no trânsito.
- Comprar um carro legal por um preço legal é possível.
- Infraestrutura deixou de ser problema.
- Temos mais tempo pra nós.
Tetê, 37, casada, tecnóloga e gateira convicta