Ela olha no relógio e pula da cama
O Sol ainda não despertou, mas o dever a chama
A criança chora e ela precisa se arrumar
Queria voltar para cama, mas precisa se animar
Ela desce a escada e acalanta o filho
Está cansada, mas não perde o brilho
Arruma a criança para deixá-la na escola
A atenção que dá ao cão é quase uma esmola
Se alimenta quase que no automático
O dia será cheio, mas precisa ser fantástico
Ela se lembra ao chegar no escritório
Que na hora do almoço vai passar no empório
Sua mente se perde entre reuniões
São tantos temas que formam legiões
Passa o dia e quando vê é tarde
Essa rotina não é de covarde
Chega em casa e tem rotina
O bebê se alegra quando ela buzina
O melhor momento é o jantar
Ela sorri por estar de volta ao lar
Muitas vezes o feminismo é exposto como um movimento que age contra os homens, exige certos comportamentos das mulheres e é contra todos os valores da sociedade. Mas, será que é isso mesmo? Quanto a nossa consciência feminina pode ser aprimorada sob a ótica do feminismo?
Seguem dois livros que tratam o tema de forma doce e transparente, sem, no entanto, deixar de ser ácido, quando necessário.
1) Memórias da Transgressão: momentos da história da mulher no século XX

Publicado no Brasil em 1997, este livro é uma coletânea dos excelentes artigos de Gloria Steinem, desde a década de 60.
As publicações mostram como a autora começou a se envolver na temática feminista e suas principais contribuições para as lutas da época. Atualmente, ela é um símbolo de engajamento pela igualdade de gênero.
O livro divide-se em quatro partes: Aprendendo com a experiência; Outras descobertas básicas; Cinco mulheres e Transformando a política. Onde é imprescindível destacar os seguintes textos:
- Eu fui coelhinha da Playboy
Gloria foi a única jornalista que conseguiu se infiltrar nos bares da Playboy. No livro, ela descreve sua experiência como garçonete e o lado nada glamouroso dos bastidores da vida de coelhinha.
- Se os homens menstruassem
Neste artigo hilário, Gloria deixa evidente que o tema menstruação é tabu na sociedade. A questão central que norteia seus argumentos é se essa redoma de vidro em torno do tema está associada à condição feminina. Eis, que surge a provocação: mas, e se os homens menstruassem? Vale um trecho dessa obra:
“Então, o que aconteceria se, de repente, como num passe de mágica, os homens menstruassem e as mulheres não? Claramente, a menstruação se tornaria motivo de inveja, de gabações, um evento tipicamente masculino: Os homens se gabariam da duração e do volume. Os rapazes se refeririam a ela como o invejadíssimo marco do início da masculinidade. Presentes, cerimônias religiosas, jantares familiares e festinhas de rapazes marcariam o dia.”
Este livro é mais que uma reflexão, ele é um reflexo da vida das mulheres em diversas óticas: política, social, profissional, artística e demográfica. Fala de relacionamentos exploradores, da lucidez e necessidade da uma luta feminista, do machismo enraizado em homens e mulheres e da sexualidade feminina, ainda mistificada.
Como ser mulher: um divertido manifesto feminista

“Quando aparecem estatísticas dizendo que apenas 29% das mulheres norte-americanas se descrevem como feministas — e apenas 42% das inglesas —, eu penso: o que vocês acham que feminismo é, moças? Que parte da “liberação das mulheres” não é para vocês? Será que é o direito de votar? De não ser uma posse do marido? A campanha por equivalência salarial? A música “Vogue”, da Madonna? As calças jeans? Será que todas essas coisas IRRITAM VOCÊ? Ou será que você só estava BÊBADA NA HORA DA PESQUISA?””
Assim começa esse divertido manifesto feminista de Caitlin Moran.
A autora inglesa é jornalista do The Times e seu histórico profissional conta com reconhecimentos de Melhor colunista do ano, Melhor crítica e entrevistadora e Livro do ano no Galaxy National Book Awards, justamento pelo best-seller “Como ser mulher” – que vendeu mais de 260 mil exemplares só na Inglaterra.
O livro em questão aborda os temas mais polêmicos do universo feminino, com um diferencial: sempre repleto de humor e sarcasmo. Sua visão nada consensual sobre Casamento, Aborto, Corpo, Comportamento, Machismo e Maternidade, é transcrita partindo de sua própria experiência – da adolescência à vida adulta – e transmite leveza e empatia – afinal, são cenas vividas repetidamente pela maior parte das mulheres.
No ápice de sua espontaneidade, sarcasmo, ironia, Caitlin propõe um rápido teste para descobrir se você é uma feminista:
“Mas é claro, pode ser que você esteja se perguntando: ‘Será que eu sou feminista? Talvez não seja. Eu não sei! Até hoje, não sei o que é isso! Sou ocupada e confusa demais para conseguir entender. Aquela cortina realmente ainda não está pendurada! Não tenho tempo de parar para entender se sou à favor da liberação feminina! Parece envolver muita coisa. O QUE ISSO SIGNIFICA?’.
Eu compreendo.
Então, eis uma maneira rápida de ver se você é feminista ou não. Enfie a mão na calcinha.
a) Você tem vagina?
b) Quer ser dona dela?
Se respondeu ‘sim’ às duas perguntas, então, parabéns! Você é feminista.”
É trágico. É cômico. É real.