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morte

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Perder alguém é como vagar em silêncio pelo desconhecido. É a saudade perpétua. É conhecer o rascunho do epitáfio. É ter fé no subjetivo mesmo que a dor se assemelhe a uma ferida na carne. É saber que o sofrimento, para além da ótica daquele que padece, não passa de um desconforto pessoal ao assistir a tristeza alheia.

O pesar exige disfarce, é preciso abandonar o véu do luto, ainda que não se tenha superado internamente a comoção do óbito. Existem as fotos, retratos e suas molduras, que retardam o desapego. Na verdade, esse alguém que se vai é, por vezes, uma imagem indissolúvel e quase indissociável daqueles que ficam. Mas, essa dor não pode ficar exposta. O luto tem um prazo de validade aos olhos de outrem.

Entenda, não há quem goste de lamúrias. Passada a missa de sétimo dia, você deverá ter se conformado com aquela ausência perene e se enveredará por mensagens otimistas de superação.

Mas como?

Parece uma conta simples. Você leva uma vida amando e vivendo na presença de um ser, mas, de repente, ele se vai e você precisa encaixotar todo esse histórico e sorrir. Não dá.

Alguns laços não se desfazem nem no túmulo, mas são silenciados pelo cotidiano.

Anualmente temos um dia de abertura para expressar essa melancolia sem incômodos e, de certa forma, se reencontrar com quem já se foi. Porque, na verdade, a morte não é barreira para quem pelo amor ainda vive.

Para ser feliz, me libertei de relacionamentos, atitudes, pessoas, lugares, empregos que me faziam mal, pois não estavam sintonizados com a minha essência.

Para alguns, deixar as situações ruins sem mágoas irem embora é um ato de coragem. Para outros, um ato de covardia. Para mim, foi a única forma de voltar a ser eu mesma, pois deixei para trás a opinião dos outros e resolvi viver minha própria vida.

Assim, penso que para ser feliz, às vezes é necessário “morrer”.

Ao dizer isso, logo me vem à lembrança a história de uma amiga de família, que é do interior da Bahia. Ela tinha um tio que sofria uns desmaios que o deixavam gelado como se estivesse morto. Certa vez, ele ficou algumas horas desacordado, então o deram como morto. Sim, não havia médico na cidadezinha. Pois bem, não é que o morto renasceu no meio do velório??? O morto levantou do caixão jogando as flores para o alto e a maioria das pessoas saíram correndo apavoradas, no meio dos porcos que viviam ao lado do local usado para velórios.

Caras (os) leitoras(es), não quero ver nenhuma (m) de vocês dentro de um caixão para voltar a ser feliz, mas veja como esta história é inspiradora:

“Cada vez que alguém for preconceituoso com suas escolhas, finja-se de morta e assim que o chato der uma brecha, conte uma história cabeluda que faça o fulano correr assustado de medo da sua capacidade de ser feliz.”

Quantas vezes não ficamos enterradas em relacionamentos infelizes porque deixamos morrer nossos sonhos, nossa essência? Enquanto isso, deixamos na testa um letreiro: “Aqui jaz uma pessoa que sonhou ser feliz, engolida pelos preconceitos de uma sociedade mal resolvida.”

Minha (Meu) querida (o), saia deste “caixão”, diga ao mundo que a (o) “morta (o)” acabou de ressuscitar e que irá assombrar todos aqueles que tem um olhar, uma crítica afiada para infernizar sua felicidade. Porque esses sim continuam “mortos” e não sabem respeitar a vida de quem descobriu que o espírito é livre para Solteirar e ser feliz.

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