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Apresento-me aqui como um réu
Suas palavras são de um juiz
Qual santo que tem a chave do céu
Avalia os pecados que nunca fiz
Quero gritar em minha defesa
Quero mostrar a minha nobreza
Quero expor com toda franqueza
Que tu foste a minha fraqueza
Quando souberes a minha verdade
Verás o meu coração
Ao ler minha realidade
Verás que me julgas em vão
Sou decidida e assertiva, mas insegura e indecisa
Sou lutadora e vencedora com algumas derrotas nas costas
Sou otimista e sigo em frente, ainda que com alguns minutos de dúvidas
Sou romântica e fria
Sou alegre e brincalhona com doses de tristeza
Sou serena e tranquila, mas também viro bicho
Sou ateia. Mas que Deus existe, existe
Sou ainda criança e adoro exibir minha intelectualidade senhoril
Sou Bebel Gilberto e sou Amy
Sou Miró e Leonardo da Vinci
Sou teimosa cabeça-dura que ao fim acaba cedendo
Sou altruísta e dou umas pitadas de egoísmo e maldade
Sou yoga e sou maratona
Sou terapeuta e paciente de mim mesma
Sou mulher e sou mulher.
Convidado: Roberto G. Aranha
Foi-se o tempo em que tomar uma gelada com os amigos era (só) sinônimo de um bando de homens (casados, solteiros e alguns mal resolvidos) entornando pilsners pavorosas, umas piores que as outras – e todas cheias de milho, em um boteco, cheio de palitos de dente no canto da boca, copos com cheiro de pano sujo e debates em loop eterno sobre desempenho futebolístico.
Na verdade, esse cenário não mudou só por conta das cervejas, que (glória ao deus lúpulo) se ampliaram em tipos e rótulos, mas também pela transferência das mulheres dos cartazes de péssimas cervejas para as mesas de bar.
O mercado de cervejas “especiais” (um universo que engloba importadas e artesanais majoritariamente) – mesmo com todos os empecilhos tributários – vem conquistando cada vez mais adeptos, muitos deles mulheres. E, para desespero de alguns machões de plantão, elas não são poucas e não são fracas. Como disse Sérgio Soares do blog Lupulentos, elas estão dando um show de bola em muito marmanjo que tenta vomitar regra. Muitas delas com um repertório extenso e de deixar muito mestre cervejeiro no chinelo.
É o caso de Lisa Torrano, que gerencia um dos maiores grupos de cervejeiros artesanais e apreciadores no Facebook – que também é um site e virou recentemente um vlog – o Cerveja Artesanal São Paulo. Além de fazer sua própria cerveja, ela organiza eventos junto com seu parceiro, divulgando marcas que vêm tentando se despontar nesse ainda humilde, mas promissor, mercado brasileiro.
Ela não está só, nem no Brasil, nem no mundo. Quem vai à Meca da cerveja artesanal dos EUA – Portland – em busca de novos sabores dificilmente ficará sem conhecer o Brewvana, uma empreitada da divertidíssima Ashley Salvitti, que leva turistas em diversos passeios para conhecer as mais de 30 cervejarias da cidade, entre elas Upright, Deschutes e a lendária Rogue. Lógico, tudo acompanhado de muita degustação e um vasto repertório de conhecimento sobre o assunto.
Das noitadas mais extravagantes, às mesas de confrarias, até degustando em casa sem ninguém para torrar sua paciência, tomar cervejas artesanais nacionais ou importadas, apesar de ainda ser um privilégio monetário (afinal, quem se aventura, gasta entre 10 a 35 reais a garrafa, em média – nada suave para quem quer beber até passar mal), tem ganhado adeptos dos mais variados gêneros.
Das ultra aromáticas IPAs às achocolatadas Stouts, o negócio é sair da caixinha. Afinal, debater qual a melhor entre a cerveja do NA-NA-NA ou aquela redonda, hoje em dia equivale a discutir o que é melhor: tomar um soco no queixo ou um no olho. Sai fora! Vá Solteirar!
Imagem: Agradecimentos a Lupulento/ Folha de São Paulo (2014).
Completo 40 anos de idade daqui alguns meses. Todos os anos, momentos antes do badalar da meia-noite, faço meu balanço de descobertas, aprendizados, erros, acertos e tudo mais que couber na minha pausa reflexiva. Este ano não vou aguardar os doze meses da minha última primavera. Abri uma exceção para observar meus passos junto com o Solteirar, que completa seu primeiro ano neste mês de agosto.
O Solteirar surgiu como uma brincadeira. A idealizadora, ao nos confessar suas divagações, parecia descrever uma mesa de bar rodeada de mulheres contanto suas cômicas, trágicas e alcoólicas histórias sobre ser solteira. Mas, ao ser desafiada a colocar no “papel” todos esses anos de experiência, tive receio de revolver o passado, de questionar o presente e de sentir a insegurança do futuro.
Não sei se disse sim ou se apenas silenciei. Talvez a própria inércia das minhas emoções me guiaram para a resposta, não me recordo.
Para o balanço deste ano, escolhi um momento especial para me inspirar. Por volta dos 22 anos decidi encarar minha acrofobia¹ e descer um tobogã de uns bons metros de altura num parque aquático. Não preciso dar detalhes da sensação de arrependimento que me consumia enquanto a fila ia diminuindo e minha hora era iminente. O fato é que aqueles 10 segundos de queda foram tão incríveis e libertadores que eu só pude agradecer à loucura que me fez superar o desejo de desistir.
Este pedaço de memória representa completamente meu último ano. Nesses últimos 365 dias tive a mesma sensação daquela queda. Entreguei-me às mulheres que buscam a libertação de seus medos e tento traduzir em cada texto a nossa rotina de preparação para o passo que antecede o salto de liberdade.
E não à toa, este ser metódico, quebra seu ritual quadragenário particular de comemoração: nasceu uma nova Glória com a descoberta desse impulso de coragem, o Solteirar.
¹ A acrofobia o mesmo que “larofobia” é o medo irracional de lugares altos.
Sinceramente, não costumo reparar na roupa das pessoas, mas outro dia encontrei no banheiro uma mulher que passava dos seus 50 anos e, impulsivamente, foi aberta uma exceção. Ela usava um vestido sexy, não muito curto, mas agarrado ao corpo o suficiente para evidenciar todas as suas curvas e saliências.
Essa inocente personagem do meu dia não era dona de um corpo escultural, em seu conjunto de saliências somavam-se também aquelas desagradáveis que se aglutinam em nosso abdômen e em nossas coxas.
O que me chamou atenção para a cena é que não era alguém explorando seu poder de sedução. A sensação que tive foi a de ver um corpo enrolado em um pano e só, de forma que ela, simplesmente, já havia descartado todos os padrões pré-estabelecidos (por terceiros) para ter o direito de estar naquela peça.
Posteriormente, ouvi comentários clichês sobre o ridículo da combinação (vestido mais corpo), mas a minha leitura do fato é de que se trata muito mais de um ato de coragem do que qualquer outro exercício de exibicionismo gratuito. Vi aquele ser como a inspiração de algo que poucas pessoas fazem: vestir as peças escondidas no armário e sentir-se livre na convivência com seu próprio ridículo.
Sabe aquela coisa de que mulher e cerveja combinam, foi provada!
E, quem conhece a cerveja Delirium Deliria já sabe o porquê: ela é uma cerveja especial, com edição limitada, fabricada uma vez por ano – por mulheres – em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Da família Ale, esse primor possui 8,5% ABV* e segunda fermentação na garrafa. Conheça mais detalhes dessa obra de arte:
País de Origem: Bélgica
Cidade de Origem: Melle
Cervejaria: Brouwerij Huyghe
Estilo: Belgian golden Strong Ale
Família: Ale
Coloração: Dourada
Espuma: Boa formação e persistência
Aparência: Levemente turva
Aromas: Notas frutadas, florais e leve lúpulo.
Amargor: Alto
Teor alcoólico: 8,5% ABV
Harmonização: Carne, massa e frutos do mar (lagosta, paella, salame, vitela).
Volume: 750ml
Ou seja, um símbolo do poder feminino no mundo cervejeiro.
Se não conhece, anote na lista de desejos para a próxima visita àquele bar especial. Se já conhece, conta pra gente o que achou!
* ABV significa “Alcohol by Volume”
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