Estou perdido reconheço
Não sei mais como voltar
Reconheço esse é o preço
Da vida que quis encenar
Neste palco fictício
Essa plateia calorosa
Conduziu-me ao meu vício
De uma vida glamorosa
Como descer do pedestal?
Como voltar ao eu antigo?
Como deixar de ser banal?
Como voltar ao meu abrigo?
Chega desse personagem
Chega de vagar vazio
Vou buscar toda coragem
Para retomar o brio
Vou tecer mais uma vez
A rede do meu passado
Relembrar o que me fez
Deixar o meu ser de lado
O desejo não tem hora
Não escolhe alvo
Não sabe o que devora
Não me deixa salvo
Me sufoca com a falta do ar
Me consome qual fogo na lareira
Me confunde e me faz chorar
Me corrói qual santo na fogueira
O meu desejo é profundo
Me deixa tonto e confuso
Me dá e me tira o mundo
Me faz cometer abuso
Abuso dos pensamentos
Abuso de sonhos loucos
Misturam-se os sentimentos
Que vão se juntando aos poucos
Poucos momentos que sinto
Poucos que deixei passar
Tantos momentos que finjo
Olhar e não desejar
Ao saber que teu beijo foi de outra
Meu coração doeu profundamente
Senti-me traída como louca
Pensei desprezar-te intensamente
Ao sentir que não terei mais teu carinho
Meu coração bateu inconsciente
Senti-me perdida no caminho
Pensei odiar-te cruelmente
Ao querer que tudo fosse engano
Meu coração sofreu solenemente
Senti-me dona de um amor profano
Pensei abandonar-te prontamente
Ao deixar essa dor no meu passado
Meu coração vive calmamente
Sou feliz por já ter amado
E vou buscar o amor novamente
Sou a busca de algo que não se explica
Sou o encontro da pessoa amada
Sou o erro que a vida complica
Sou o acerto da mulher apaixonada
Nesta busca descobri que sou deserta
Neste encontro vi que não estou sozinha
Neste erro aprendi a ser mais correta
Neste acerto percebi tudo que tinha
Depois da busca abri fronteira
Depois do encontro tenho raiz
Depois do erro sou solteira
Depois do acerto sou mais feliz

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Apresento-me aqui como um réu
Suas palavras são de um juiz
Qual santo que tem a chave do céu
Avalia os pecados que nunca fiz
Quero gritar em minha defesa
Quero mostrar a minha nobreza
Quero expor com toda franqueza
Que tu foste a minha fraqueza
Quando souberes a minha verdade
Verás o meu coração
Ao ler minha realidade
Verás que me julgas em vão
Olhava quem sempre passasse
Ouvia o tom das cores
Decifrava as vozes
Descobria as flores
Espiava da janela
Entendendo o movimento
Sorria com a aquarela
Que as flores formam ao vento
Ouvia todos os sons
Espiava toda a gente
Decorava todos os tons
Sorria por estar contente
Cantava a música do dia
Corria ao contrário do vento
A todos dava bom dia
Mas falava em pensamento
Dançava com seu ursinho
Usava vestido de flores
Andava bem de mansinho
Pintava sem usar cores
Provocava todos por perto
Gritava por atenção
Tinha tudo como incerto
Odiava ouvir um “não”
Fazia som na cozinha
Dançava qualquer balela
Não queria ficar sozinha
Tinha todos ao redor dela
Brincava no gira gira
Como se tivesse idade
Sonhava que era criança
E esse sonho era verdade