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poema

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Estou perdido reconheço
Não sei mais como voltar
Reconheço esse é o preço
Da vida que quis encenar

Neste palco fictício
Essa plateia calorosa
Conduziu-me ao meu vício
De uma vida glamorosa

Como descer do pedestal?
Como voltar ao eu antigo?
Como deixar de ser banal?
Como voltar ao meu abrigo?

Chega desse personagem
Chega de vagar vazio
Vou buscar toda coragem
Para retomar o brio

Vou tecer mais uma vez
A rede do meu passado
Relembrar o que me fez
Deixar o meu ser de lado

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O desejo não tem hora
Não escolhe alvo
Não sabe o que devora
Não me deixa salvo

Me sufoca com a falta do ar
Me consome qual fogo na lareira
Me confunde e me faz chorar
Me corrói qual santo na fogueira

O meu desejo é profundo
Me deixa tonto e confuso
Me dá e me tira o mundo
Me faz cometer abuso

Abuso dos pensamentos
Abuso de sonhos loucos
Misturam-se os sentimentos
Que vão se juntando aos poucos

Poucos momentos que sinto
Poucos que deixei passar
Tantos momentos que finjo
Olhar e não desejar

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Ao saber que teu beijo foi de outra
Meu coração doeu profundamente
Senti-me traída como louca
Pensei desprezar-te intensamente

Ao sentir que não terei mais teu carinho
Meu coração bateu inconsciente
Senti-me perdida no caminho
Pensei odiar-te cruelmente

Ao querer que tudo fosse engano
Meu coração sofreu solenemente
Senti-me dona de um amor profano
Pensei abandonar-te prontamente

Ao deixar essa dor no meu passado
Meu coração vive calmamente
Sou feliz por já ter amado
E vou buscar o amor novamente

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Sou a busca de algo que não se explica
Sou o encontro da pessoa amada
Sou o erro que a vida complica
Sou o acerto da mulher apaixonada

Nesta busca descobri que sou deserta
Neste encontro vi que não estou sozinha
Neste erro aprendi a ser mais correta
Neste acerto percebi tudo que tinha

Depois da busca abri fronteira
Depois do encontro tenho raiz
Depois do erro sou solteira
Depois do acerto sou mais feliz

por -
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www.solteirar.com/o-julgamento

Apresento-me aqui como um réu

Suas palavras são de um juiz

Qual santo que tem a chave do céu

Avalia os pecados que nunca fiz

 

Quero gritar em minha defesa

Quero mostrar a minha nobreza

Quero expor com toda franqueza

Que tu foste a minha fraqueza

 

Quando souberes a minha verdade

Verás o meu coração

Ao ler minha realidade

Verás que me julgas em vão

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Olhava quem sempre passasse

Ouvia o tom das cores

Decifrava as vozes

Descobria as flores

 

Espiava da janela

Entendendo o movimento

Sorria com a aquarela

Que as flores formam ao vento

 

Ouvia todos os sons

Espiava toda a gente

Decorava todos os tons

Sorria por estar contente

 

Cantava a música do dia

Corria ao contrário do vento

A todos dava bom dia

Mas falava em pensamento

 

Dançava com seu ursinho

Usava vestido de flores

Andava bem de mansinho

Pintava sem usar cores

 

Provocava todos por perto

Gritava por atenção

Tinha tudo como incerto

Odiava ouvir um “não”

 

Fazia som na cozinha

Dançava qualquer balela

Não queria ficar sozinha

Tinha todos ao redor dela

 

Brincava no gira gira

Como se tivesse idade

Sonhava que era criança

E esse sonho era verdade

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