Uma leitora nos pediu um texto sobre a mulher de 30 anos. Eu prontamente me candidatei a escrevê-lo. Adorei a virada dos 30 anos.
No ano em que fiz 30 anos, refleti muito sobre alguns aspectos fundamentais da minha vida:
– Se a expectativa de vida de um brasileiro é de 75 anos, eu já tinha vivido 40% da minha vida. Eu estava feliz com o que consegui até então? O que ainda faltava? O que era preciso mudar para aproveitar bem os próximos 60%?
– Minha ginecologista explicou que nosso corpo está preparado para produzir hormônios até os 30 anos, e que não era à toa que se comentava que a mulher possui um relógio biológico que alerta para ter filhos. Após os trinta, as taxas hormonais começam a diminuir, mas vale lembrar que uma mulher saudável não terá uma queda brusca, apenas iniciará o processo de diminuição. Logo, era com o meu marido que eu queria ter filhos? Ou eu estaria perdendo tempo em um relacionamento sem futuro para os meus planos de maternidade?
– Uma médica ortomolecular, que eu tinha procurado por estar acima do peso, me avisou que o envelhecimento começa a se instalar nas células aos 30 anos. Como estava minha qualidade de vida? Eu era feliz no trabalho? Tinha tempo para mim? Eu estava me cuidando?
– Ouvi falar na minha roda de amigos que a mulher precisa estudar muito mais que o homem para ocupar o mesmo cargo. Constatei ao olhar ao meu redor que se tratava de uma realidade. Eu já tinha estudado tudo o que precisava? Estava na hora de investir em outra formação?
Não pensem que eu não era feliz. Eu era feliz por ter chegado bem aos 30 anos. Eu tinha um casamento, uma carreira, já tinha cursado um MBA. Portanto, já era considerada uma mulher de sucesso. Mas eu queria parar por ali ou queria mais? O que eu estava fazendo para garantir a continuidade da minha felicidade nos próximos anos.
Essas reflexões me levaram a mudar minha vida de uma forma tão incrível que hoje, já passei dos 40, considero que o alicerce de minha felicidade foi firmado aos 30 anos, quando fiz meu momento da virada:
– Dei um novo rumo para minha carreira, pois a função que eu exercia, embora com muito conforto e sucesso, não me movia mais. Percebi que estava acomodada e mudei de área dentro da mesma empresa onde eu trabalhava.
– Pedi a separação, rompendo o casamento com o cara que era um ótimo companheiro de aventuras e que deveria ter sido somente o meu melhor amigo, mas que como marido e mulher estávamos fadados a uma vida onde eu sempre seria a mãe dele.
– Comecei a sair e descobri que aos 30 anos eu era jovem e, apesar do meu sobrepeso, ainda era capaz de atrair muitos olhares.
– Me dediquei a mais uma especialização que faria diferença na minha carreira nos próximos anos.
Enfim, para algumas mulheres a marca dos 30 anos é só mais uma data, pra outras pode ser um novo início. O que importa é comemorar e avaliar se o caminho que te fez sobreviver até aqui é o mesmo que a fará uma mulher feliz nos próximos 30. Se a conclusão for “sim, estou no caminho certo”, lute para continuar nele, caso contrário, derrube já as barreiras que possam impedi-la de ter o sonhado futuro feliz.
Afinal, cada idade tem suas características, mas em todas o melhor da vida é ser feliz. Descubra o que é ser feliz para você.
Descobri que sou clichê demais para ser única e que todos os outros seguem um padrão comportamental muito mais normal do que eu imaginava.
Todos os outros já decidiram fechar para balanço por um tempo.
Todos os outros mudam o cabelo quando precisam provar para si mesmos que são diferentões.
Todos os outros fazem coisas que sabem que não deviam, escondidos não sei de quem.
Todos os outros deixam de aceitar por medo de se decepcionarem e deixam de recusar para não se decepcionarem (esse lance de decepção é uma droga!).
Todos os outros mandam mensagens que não deviam com um ar de “vai que…”.
Todos os outros detonam o amor depois de uma decepção, mas logo estão achando o vizinho o cara mais fofo do mundo.
Todos os outros têm o seu dia/mês/ano mendigo, porque resolveram se livrar dos padrões de beleza (acordei rebelde ou foi meu cabelo?).
Todos os outros começam a dieta na segunda, só que não.
Todos os outros … (complete com qualquer coisa que só você faz).
Todos os outros fazem tudo… Droga! Minha vida única foi por água abaixo e sou tudo aquilo que não queria ser: normal, morna, previsível e nada diferentona.
Chega uma hora que tudo tem que se resolver.
As promessas de dieta e de amor próprio devem ser cumpridas.
As metas alcançadas, as mancadas perdoadas e a paz recuperada.
A solidão deixada, o amor encontrado (se você assim desejar) e o final encarado.
É, chega uma hora que tudo que ficou pelo caminho deve ser recolhido e, de preferência, reciclado.
Passa rápido.
Parece que o equilíbrio tem que surgir na sua vida de uma forma certeira e eficaz.
Estabilidade.
Familiar, profissional, emocional! Tem que dar certo!
Como, se nem o “auto-definir-se” aconteceu ainda?
Encaixar-se, e aceitar que os desafios da vida uma hora têm que cessar.
Que seu tempo acaba, a vida passa e as famosas luzes do palco também vão se apagar.
Contentar-se. Já que uma vida vaga é bem pior que viver a se desculpar.
Sou a busca de algo que não se explica
Sou o encontro da pessoa amada
Sou o erro que a vida complica
Sou o acerto da mulher apaixonada
Nesta busca descobri que sou deserta
Neste encontro vi que não estou sozinha
Neste erro aprendi a ser mais correta
Neste acerto percebi tudo que tinha
Depois da busca abri fronteira
Depois do encontro tenho raiz
Depois do erro sou solteira
Depois do acerto sou mais feliz
Que tal, de repente, ser a pessoa que você finge ser?
Que tal começar a reagir e viver ao invés de deixar passar?
Quero cuidar de mim, quero gostar de mim. Quero gostar tanto de mim que será impossível que os outros não gostem. Quero gostar tanto de mim, que poderei ser eu, sem vergonha para qualquer ser. Quero gostar de mim, por mim, em primeira mão.
Quero parar de deixar para depois. Quero agora! Quero agora, antes que o “só mais hoje” ou “só mais dessa vez” tomem conta da vida que não conto.
Quero voltar a ser a pessoa “foda-se o mundo”, que dança mal, mas dança e que canta mal, mas canta. Quero me divertir. Quero fugir da estranha que toma conta.
Quero voltar a me respeitar. Quero saber o que quero hoje, amanhã e sempre. E se o para sempre acabar, quero saber o que quero depois também.
Quero ideais reais, daqueles que se luta cegamente e que se vê no olhar.
Quero saber para onde ir, ou pelo menos, onde quero estar. Quero merecer estar.
De que vale cada dia da minha vida se ele simplesmente passar?
Quero viver.
Quero mudar.
Quero me amar.