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Quando voltares, estarei mudada.
Não pelas marcas do tempo, pois elas me trouxeram charme.
Não pelos quilos que ganhei, pois eles me deixaram mais formosa.
Foste-te há muito tempo e a minha pele não tem mais a firmeza de outrora, mas sua maciez agora é de veludo.
Mas a principal mudança não se deu pelo tempo passado, mas por um momento exato.
Quando voltares, verás que mudei no momento da despedida.
Que o adeus que deixou ferida, partiu meu coração e transformou meu ser.
Mas verás principalmente que a mudança se deu não pela dor provocada, mas pela descoberta de que nunca precisei de ti.
Foste-te há muito tempo e desejo que, no momento de seu retorno, o vento sussurre aos seus ouvidos pedindo que não volte nunca mais.

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Pra que voltar se não é pra ficar?
Mexer em todo aquele passado mal resolvido e vivido, por pura diversão?
Podia simplesmente sumir e me deixar achar que foi melhor assim. Mas cada vez que ressurge, é como se eu tivesse de novo o peso da decisão de estar ou não com você, mesmo que não dependa apenas de mim.
Fora o julgar, é só falar de você que todos ao meu redor só esperam que eu “tome a decisão certa”, mas dessa vez é diferente, não é? Não, mas assim eu fico a acreditar nos primeiros minutos de êxtase por te ver.
Vai passar? Não sei, mas enquanto isso for difícil pra mim, só quero que se vá, e deixe por aqui adormecido tudo que, um dia, eu sei que vai passar.

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Cotidiano: adj. Que ocorre todo(s) o(s) dia(s); particular do dia a dia; diário.
s.m. Aquilo que acontece todo(s) o(s) dia(s); o que é banal; comum.
Quando um evento como o Oscar acontece, o mundo para por alguns instantes para prestigiar o glamour e significado artístico que ele concebe. Neste ano, para surpresa da plateia e da audiência, tivemos ainda um espetáculo à parte no que tange a temas políticos. Questões como o tratamento dado aos imigrantes e as desigualdades racial e de gênero revolucionaram os insossos discursos de agradecimento.
O efeito midiático desse levante foi quase que instantâneo. Em segundos houve um verdadeiro bombardeio de manchetes gritando em prol das tais causas sociais. É uma cadeia de curtidas, marcações e compartilhamentos, que forma pequenos exércitos, ressuscita militantes e resgata as estatísticas de desastres passados.
Ao encarar essa vitrine de notícias, algo martela compulsivamente meus pensamentos: houve algum momento outrora em que as desigualdades deixaram de existir ou as guardamos no cotidiano e a elas nos adaptamos?
Penso e encontro nesta interrogação o valor de termos levantado bandeiras de equidade em uma solenidade de alto prestígio, pois há nela um poder intrínseco de revolver a banalidade da rotina e com um escarro, nos devolver à face uma sociedade que ainda precisa ser fortalecida e reconstruída.
O porém da história é a espera pelo próximo convite de acesso à alta cúpula de cerimônias, em que, talvez, teremos novamente expostas as nossas marcas do dia a dia. E fica, na verdade, um desejo de que quando a mídia silenciar os seus gritos, ainda sobrem ecos suficientemente fortes que mantenham firmes as vozes.
Acabo de sair surpresa de uma reunião da escola. Colégio tradicional, católico.
Sábado ensolarado, levantei cedo, me arrumei e acordei as criaturas. Tinham me falado que a reunião era às 10h. Ainda bem que sempre desconfio e resolvi ligar para a escola. A reunião era às 9h e …. já eram 9h. Coloco as criaturas no carro e saio igual a uma doida, sem tomar o café da manhã com o qual já estava sonhando desde cedo. Lógico que sempre me irrito saindo da garagem, pois não consigo manobrar direito. Enfim, cheguei esbaforida no auditório cheio, com cara de quem foi na balada no dia anterior.
O professor de religião fala sobre família, valores, ajuda a comunidades carentes, enfim, aquele papo católico de escola católica. De repente, uma mãe se levanta: “Professor, antes do senhor continuar falando de valores de família, queria colocar uma coisa. Eu sou a mãe da Gabriela, ela tem 3 anos. Eu sou solteira e a adotei há 2 anos. Aqui vocês falam de família com pai, mãe e filhos, da história da sementinha e outras coisas. Só que lá em casa não tem nada disso. Ela não é minha sementinha. E sempre me pergunta cadê o pai dela e a única coisa que consigo responder é que quando achar um pai bem legal para ela, ela terá um. Como a escola irá tratar isso?”
Todos aplaudiram essa mulher corajosa. Sim, no meu ponto de vista ela é muito corajosa. Eu sempre tento disfarçar a não presença do pai nas minhas idas a escola. Afinal, o que poderão pensar de mim?
Para minha surpresa, o professor respondeu: ”Muito linda a sua pergunta.” Novos aplausos. “Aqui pregamos os valores de família, não importa como é essa família. Você e sua filha são uma família. Aqui tem famílias de todos os tipos, pai com filhos, mãe com filhos, mãe e pai com filhos, pai com filhos de outra mãe, mãe com filhos de outro pai, pai e pai com filhos, mãe e mãe com filhos. Toda formação é uma família. Respeitamos as diferenças. Respeitamos e valorizamos as diferentes visões de mundo.” Um pouco depois acrescentou algo maravilhoso para quem sempre procura o diferente e novas formas de ver o mundo. “Me assusta mais uma família que lê apenas um jornal do que uma família que não lê.” Novos aplausos.
Fiquei aliviada e muito emocionada. Acho que o mundo já começou a Solteirar!
O Solteirar nasceu da essência feminina, que luta por seus direitos de liberdade e igualdade de expressão.
Datas como 24/02/32 (onde as brasileiras conquistaram seu direito de voto) e 08/03/1857 (quando as novaiorquinas do setor têxtil fizeram manifestações por melhores condições de trabalho) não podem passar em branco para nós. Elas começaram a luta e estamos aqui para contestar o que ainda precisa ser melhorado e comemorar as condições adquiridas hoje.
Para isso, preparamos duas semanas especiais, com promoções e textos comemorativos!
Parabéns a cada um de vocês que apóia a liberdade e a igualdade!

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Definitivamente o homem, em sua maioria, não consegue lidar com mulheres vitoriosas, decididas, mais altas, bem postas ou melhores de toda a forma. Ele se atrapalha, patina, detesta e tenta à sua maneira, até inconscientemente, sabotar as que estão ao seu derredor.
É fácil encontrar exemplos: o chefe, o namorado, o marido, o irmão, até o pai, o vizinho que encrenca com a “posuda” ao lado etc.
A sociedade o protege, a mãe o mima, a religião coloca-o num patamar superior (por Deus), a estrutura econômica faz dele seu braço direito, tudo o empurra, até seu salário é maior, mas mulher na sua frente ele não suporta.
Se bonita ou sexy, é vadia. Se frágil, feminina demais, é abusável e qualquer um deve e pode aproveitar. Estas ele aceita, mima, perdoa, patrocina etc., porque se sentirá sempre superior. Mas ai daquela que pretende sobressair-se à sua frente! Ela deve ter um defeito e, de preferência, sexual – deve ser lésbica, deficiente, feia demais, frígida ou equivalente. Um exemplo de (in)segurança masculina é que nas escolas fundamentais da Inglaterra, há um movimento para que não haja mais classes mistas porque estudos indicaram que as meninas estão se destacando mais nas escolas e prejudicando os meninos.
Vamos lembrar aqui dos já cruéis e famosos testes de sofá para as diversas categorias. Eles se acham no direito e só se sentem absolutamente seguros se puderem começar com uma subjugada, para ela nunca estar à sua frente. Algo que os tranquiliza. “Como são fortes…”
Mulher superior é inaceitável, broxante, sacrifício demais. Se for a esposa, então, é separação. Se ela começou a ganhar mais, ele só aceita o calvário por se justificar como o melhor macho (leia-se pinto) do pedaço. “Ela não aguentaria ficar sem ele na cama…”
Tratar uma mulher de igual para igual é território masculino desconhecido, pior do que a forca, o fundo do mar, o espaço… Ele não sabe como. Não há em sua visão reconhecimento à igualdade, quanto mais à superioridade, coisa que a mulher faz com muito tato, sabendo convencer pais, maridos, irmãos ou chefes há séculos.
E, mesmo em gritante desvantagem social, econômica e com a religião como espada à sua cabeça, ela tem influenciado e trabalhado em prol de uma humanização dos seres, em especial a de seu gênero que, em muitas regiões – infelizmente não em todas – tem relativos avanços. Falta tanto, mas já temos um bom começo. Vamos nos tornar rainhas de algum modo e ensinar a todos a nos tratar como tal.
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