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viver
Acredito que todos saibam que existe uma relação trivial sobre as atribuições no sexo: alguém dá e alguém come.
Simples assim. Não existe se for diferente disso.
É claro que o mesmo agente pode oscilar entre os dois aspectos, mas para qualquer combinação linear que se deseje, o tão estimado gozo exige, sem desprezar as carícias preliminares, não mais que essa singela organização.
Assim, dado a lógica conceitual e a relação de interdependência dessas pontas, me resta uma dúvida: qual é o problema em dar?
Outro dia, em um HH, enquanto filosofávamos sobre trepadas frenéticas, adultério e projetos de orgias, flagrei o comportamento tímido de algumas colegas ao revelar suas peripécias e o orgulho fálico dos meninos em ostentar quem comeram, como, onde e quantas vezes, assim, explicitamente, sem medo de indigestão.
Gente, alguém me explique por favor, qual é o problema em dar? Por que ter vergonha?
Por que ter uma regra de não transar no primeiro encontro? De não tomar a iniciativa? De não sugerir uma nova posição? Por que não testar um novo ambiente ou novos amigos͛?
Para mim, dar é algo libertador, é um encontro comigo mesma e um momento de troca com o outro. Troca de calor, de energia, de aprendizado, de emoções.
Não exponha sua intimidade aos outros se não quiser, mas olhe com franqueza para si mesma. Não dá para passar os dias decidindo sobre o que vamos abdicar de nós mesmas para representar algo. Não estamos pedindo permissão para viver. A vida é mais do que esse ensaio de certo e errado. A vida é o que acontece do lado de fora da janela e, também, o que se passa entre as nossas pernas.
Passado alguns anos de nossas vidas, conseguimos fazer nossa própria definição do que é viver. E, mais alguns anos mais, começamos a aprender sobre a grande importância de sonhar.
Sonhar é preciso sempre. Aprendemos que sonhar é poder e dever sair pelas janelas e portas de casa rumo à liberdade. É ir pelos diversos caminhos que a vida nos oferece, sejam eles proibidos ou não.
Sonhar é não nos impormos limites, sejam eles quais forem. É acreditar que existe mágica na vida. Que tudo é construído pelo sorriso das crianças, pela esperança dos velhos, pelo olhar misterioso de um homem solitário.
Acreditar que tudo é possível e ir sempre além é sonhar.
O milagre que nos faz seguir em frente e crer que ainda teremos muitas alegrias e felicidades a sentir.
Eu não nasci assim, não cresci assim, e a única certeza que tenho é que não serei sempre assim. Como dizia a música “Modinha para Gabriela”, quando eu vim ao mundo não atinava em nada, mas são tantas experiências e tantas situações vividas que, a cada ano, me torno uma nova mulher.
Eu optei por experimentar e descobri que o significado de viver é composto por vários verbos, e, consequentemente, muita ação. Viver é saborear, explorar, gozar, sentir, viajar, paquerar, transar, chorar, sorrir e tantos outras coisas que já provei e que ainda vou provar, ou até outras que nunca provarei.
Em comum com Gabriela tenho minha cara de garota travessa. Mesmo em momentos de sobriedade, serenidade e discrição, ouço pessoas me dizendo que eu tenho cara de quem apronta muito. Talvez essa seja minha essência.
Mas não sou a mesma Renata que meus pais criaram, nem mesmo sou seguidora da religião que eles escolheram. Obviamente minha infância contribuiu para minha formação, mas não me definiu para sempre.
Sou o resultado de minhas relações. Cada pessoa que passou pela minha vida, de forma relevante ou não, conseguiram me transformar. Se notamos a presença de uma pessoa, seja por um olhar ou por seus atos, seja por um momento ou por uma vida, pode causar uma transformação. Se uma pessoa te provocou alguma sensação, pode ser até desprezo, com certeza algo foi acrescentado em sua memória e seu julgamento de valor.
Sou a soma das aventuras e desventuras vividas. Sou uma sobrevivente de dores que pareceram intermináveis ou mortais, e que um dia cessaram. Serei ainda melhor e mais completa ao longo dos anos, pois ainda tenho muito para viver.
Serei um pouco Renata, um pouco Sonia, um pouco Angela, talvez Ricardo, ou até mesmo João, mas espero ter contagiado tanto quanto fui contagiada por outros seres tão complexos quanto eu.
Ser Gabriela é fácil, o desafio é ser você mesma.
Roupa social, salto alto e maquiagem
Saio de casa e carrego um pacote de ansiedade, estresse…
Mas fica a vontade de viver
Saudades de eu ser
Reuniões, planejamento estratégico
Mais conflitos a resolver
E a família e amigos, sem tempo de conviver
O ter e o querer anulando o verdadeiro prazer
Quanta energia para sustentar um ser que não sou
O tempo passou e com ele um personagem ficou
Tudo se inventa para adiar
O verdadeiro momento do despertar
Não é por nada, mas com qual intensidade as metas que criamos para alcançar um sucesso idealizado nos têm usurpado dos pequenos prazeres da vida?
Abdicamos diariamente da liberdade dos pés descalços pelo requinte e formalidade dos saltos agulha. Almoçamos as atividades que não couberam nas outras 14 horas de expediente e voltamos ao escritório para assistir reuniões de puro engodo.
Reforçamos uma imagem incorruptível e de excelência. Mas, quanto se vive enclausurada no armário? Quanta sede dissimulada por pequenas doses? Quanta opinião em silêncio? Quanta maquiagem retocada?
Dormimos na exaustão das metas até que o despertador nos convoque para sermos a protagonista na fábula de outro slide. Caminhamos como sobreviventes até que a sexta-feira chegue e, com ela, a prerrogativa de poder extravasar nossa crise crônica consumindo o ócio.
Não namoramos durante a semana. Não saímos para dançar. Não vamos ao estádio ver o “timão”.
O algoritmo da rotina nos faz flutuar do apartamento ao carro e do carro ao escritório com pequenas pausas de ambiente sem ar-condicionado. Ao volante, qualquer percurso é de exaustão, as buzinas não nos deixam ouvir o rádio nem os nossos pensamentos.
É um laço, é uma corrente, e também somos um elo para que o ciclo recomece.
É preciso ter ímpeto para fugir dessa cadeia. É preciso dizer sim às aventuras que ficam do outro lado da fronteira cotidiana. É preciso mudar a rota que nos tira e nos devolve ao lar. Alguns dias é preciso por a cara na janela para respirar a vida.
Covardes são aqueles que mais mentem
Covardes são os que fogem das responsabilidades
Covardes são os que traem os amigos
Covardes são aqueles que roubam as glórias e méritos dos outros
Covardes são aqueles que se fingem de mortos
Covardes são os que adoram depender de outrem
Covardes são os que são verdadeiros medrosos na vida
Covardes são aqueles que duram mais, mas vivem menos.
Amar não é para covardes
Autoestima elevada não é para covardes
Lealdade não é para covardes
Liberdade não é para covardes
Arriscar-se não é para covardes
Ser não é para covardes
Viver não é para covardes
Solteirar não é para covardes
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