Aborto: menos pedras e mais apoio
Ninguém é a favor do aborto pura e simplesmente. Ele acontece em circunstâncias extremas e sempre dolorosas. E tudo que se refletir sobre ele será pouco.
As marcas que ficam são para sempre. E sua escolha é porque as outras alternativas, após a gravidez, são só desgraça pura.
O caso veiculado recentemente, da moça de 19 anos presa por denúncia de um médico legalista, mas herói da impiedade, pode levar a posicionamentos que de fato auxiliem neste dilema de milhões de mulheres, milhares mortas por ano, que se sentem em sua maioria desamparadas de toda forma. Os números estarrecem.
Via de regra são pobres, sem apoio, e uma faixa significativa delas já com vários filhos e sem as mínimas condições de sobrevivência. A classe alta nunca é exposta.
Ocorrência real e bem elucidativa foi a de uma servente de um posto de saúde, mãe de seis filhos, crente, marido com doença de chagas, já mal. Ao ficar grávida, enfiou uma agulha de tricô vagina adentro e teve uma hemorragia fortíssima. Abortou, mas quase morreu, pois não quis falar nada até cair desmaiada, no dia seguinte, no banheiro do posto. Seu maior medo não era perder sua própria vida, ou os filhos que iria deixar, mas que estava condenada ao fogo eterno. E, assim mesmo, disse que não poderia ter outro filho, seria menos pão para os filhos que já tinha em casa.
Se não têm estrutura para usar anticoncepcionais e camisinha, como terão para custear um filho? Ser mãe de um novo ser traz exigências que nem sempre a mulher suporta naquele momento. Não é um monstro, mas uma desesperada.
Mais educação, orientação contraceptiva, qualificação profissional, apoio psicológico, estrutura social – como creches suficientes, boas escolas e centros de recreação – fariam bem mais do que leis caducas apoiadas em religiões reacionárias, distantes demais do respeito ao sofrimento humano e do que essas mesmas falsas religiões em sua própria doutrina pregam.
Lembremos que Jesus escolheu para acompanhá-lo ao paraíso, no dia de sua crucificação, um ladrão e uma prostituta, nenhum fariseu.
Atire a primeira pedra aquele ou aquela que se achar acima da fragilidade humana.
Obs: O Solteirar apoia a campanha da Revista TPM #precisamosfalarsobreaborto.
Confira e participe!













Excelente texto! Arrasou mesmo nesse assunto cabeludo, mas super importante!!!!