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Síndrome de Frigideira

Vida de solteira convicta não é fácil… Duvida?

Para meus inimigos (e algumas pessoas que mal me conhecem), sou uma encalhada mal amada, uma mulher indecente, vaca profana dos infernos, egoísta petulante, candidata a destruidora de lares, puta fracassada, influência nefasta, abominável e inescrupulosa usurpadora da moral, dos bons costumes e da família… E por aí vai…

Para os mais renomados intelectuais (psiquiatras, antropólogos, sociólogos e todo o resto da “intelligentsia”), sou uma fraude, já que solteiras convictas não existem.

Aliás, um professor de filosofia (ex-peguete e provável integrante do meu grupo de inimigos) chegou a decretar que eu era a mais insensível “pessoa líquida” que ele conhecera.

Até aqui, sem neuras… O que esgota minhas energias é a luta para desconstruir a descrença dos meus próprios amigos não iniciados na arte de Solteirar.

Para eles, sou uma perturbada pobre coitada que ainda encontrará a “tampa da panela” e terá a grande satisfação de descobrir seu lado “materno e amoroso”. Além disso, acreditam que me realizarei com “cuecas pra lavar”. E o pior: muitos nunca perderam as esperanças em me converter ao “verdadeiro caminho da felicidade” (vulgo vida de casada)… Aff…

Dá pra acreditar?

Tudo bem, confesso: sou uma louca desvairada com alma de cadela desgracenta! E daquelas capazes de abandonar sua própria cria (delito que só não faz parte da minha ficha criminal por terem inventado a santa pílula anticoncepcional).

Pra piorar (se é que é possível), sou viciada. E na pior de todas as drogas: minha liberdade.

Das grandes ilusões mutuamente excludentes inventadas pelo homem – liberdade plena ou amor incondicional – acabei me encantando com a primeira. Fazer o quê? A liberdade é a mais harmônica alternativa ao meu individualismo crônico. Que culpa posso ter se a seleção natural gera indivíduos falhos?

Afinal, de acordo com uma sábia filósofa anônima das redes sociais, “toda panela tem uma tampa, mas o problema é que há frigideiras por aí”.

 

PS: Antes que você passe a complementar a lista de ofensas acima, confira alguns feitos pelos quais me orgulho e veja se muda de ideia sobre a minha pessoa: reconheço minhas maiores podridões; nunca enrolei os raros candidatos à outra metade da minha laranja, sugerindo-lhes que desde a mais tenra e alucinada paixonite encontrassem uma mulher que suportasse a tragicomédia do casamento; e, finalmente, não transmitirei meus genes FDP por aí. Você e as próximas gerações podem me agradecer por essa.

Ilustração: agradecimentos a Beto Barreiros.

Spagofreda
Spagofreda
Paulistana, 38 anos, webdesigner (freelancer), solteira convicta. Só aguenta homens por uma ou duas noites. Gosta de tudo que é alternativo ou fora do padrão. Adora um porre com os amigos e uma boa briga. É autossuficiente e odeia rotina (a única que atura é o futebol aos domingos). Tem um lado irônico que irrita muita gente. Não tem temas preferidos. Gosta mesmo é de polêmica. Qualquer uma.
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12 COMENTÁRIOS

  1. Spagofreda… tirando suas ironias com pitada de diversão, nunca tinha parado pra pensar muito nessa questão… Mas é fato: normalmente nós vemos mulheres como você (aliás, conhecemos umas 3 no máximo em nossa vida) como verdadeiros ETs. Não que tenhamos pensado muito sobre o tema, mas a hipótese de “fraude” é a que mais nos parece plausível. O filósofo Luiz Felipe Pondé (também polêmico, mas na direção contrária à sua), já disse que “Vivemos a época mais covarde da história humana. A emancipação moderna se revelou um retrocesso em termos de coragem: todo mundo tem medo, mas nega e critica as formas de vínculos afetivos longos (maternidade, paternidade, casamento, etc.) para não enfrentar seus fracassos afetivos. Sou um miserável solitário, mas minto dizendo que escolhi sê-lo.”
    Qual sua visão sobre isso?

  2. Kedma, como posso ter me esquecido do “CORAÇÃO DE PEDRA”? Simplesmente a mais implacável crítica a qualquer mulher…. Podemos ser tudo, menos isso!!!
    Ainda bem que vocês ajudam a corrigir nossas falhas… Valeu e participe sempre!!!
    😉

  3. Rebecca, pelo visto você quer botar mais fogo nesta frigideira! MA-RA-VI-LHA! Adoro!!! 😉

    Você tem razão: se o Pondé me conhecesse, já teria ajudado meus inimigos com várias críticas inéditas, para o deleite de todos… Intelectuais que adoram formular teorias sedutoras não gostam de mim. Não sei se por eu dizer que não me encaixo muito bem nelas ou se é por eles acharem que eu definitivamente não me encaixo bem nelas…
    rs

    Quanto à sua questão, nunca neguei: sou uma miserável e egoísta aventureira com surtos intermitentes de ninfomania e delírios constantes de libertação. Ou seja: totalmente inapta para manter um relacionamento.
    Miserável por miserável (e somos todos), talvez eu prefira ser uma miserável solitária do que uma miserável entediada com o casamento. Ou, talvez, eu tenha um prazer mórbido em me sentir miseravelmente solitária! Vai saber…

    PS: A propósito, deve haver um número muito maior de mulheres como eu. Acredite: elas só não se revelam…

  4. Spagofreda, certamente você não deve se encaixar muito em absolutamente nada… rs
    E, quanto a ter várias como você, juro que vou procurar… Se encontrar, te aviso! rs

  5. Hahahahaha!! Já ouvi várias dessas expressões, inclusive essa, SECA! Como seu eu tivesse a obrigação de ser a verdadeira árvore da vida!! Fala sério! Não tô dando conta nem de trabalhar, comer direito e lavar a minha própria roupa, quiça ter marido, filho, sogra e batizados de domingo! Adorei o texto!

  6. Adorei!!!!!! Me indentifico muito!!! Críticas todos sempre vamos ter, agora coragem é pra poucos. Amo minha vida e principalmente minha LIBERDADE!!!! 😉 😉

    • Michelle, se o caminho que se busca é diferente da felicidade estampada nos comerciais de margarina, certamente é preciso ser forte e estar certa de suas escolhas. Caso contrário, corre-se o risco de ceder à pressão da sociedade. E saiba que aqui no Solteirar você é bem-vinda para dizer o que pensa. Sempre. 😉

  7. Todos os dias escuto algo do tipo. Eu já tentei explicar que toda essa coisa de relacionamentos, filhos, maridos e congêneres não foram feitas pra mim. Não tenho interesse em abrir mao da liberdade (em todo o seu sentido – desde acordar no domingo as 13h ate ir ao cinema sozinha pelo fato de não estar afim de sair com ninguém). E aos que dizem que sou mal amada, sempre deixo claro que eu me amo muito bem, tanto me amo que sou capaz de dizer que sou muito mais feliz do que muito casal por ai. Não me amo por interesse ou conveniencia. Me amo pq me amo e isso basta. Aceitem.

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