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Lá estava eu olhando a TV de forma tão desligada que mal sabia a língua nativa que as pessoas que circulavam na telinha falavam… Toca o telefone, atendo no primeiro toque:

Eu: Oi, queridona! Tudo bem?

A amiga: Oi! Não!

Eu: E o encontro?

A amiga: Você não vai acreditar!!

Eu: Como assim?

A amiga: Estou voltando pra casa!

Eu: Para tudo!!! O que aconteceu??

A amiga: Não aconteceu.

Eu: Mas vocês já tinham marcado…

A amiga: Comprei uma lingerie nova, coloquei apenas um casaco por cima, um salto agulha e meia com liga. Estava decidida a fazer o melhor sexo que este cara já viu!!! Trocamos várias mensagens estimulantes durante o dia e eu estava completamente louca de tesão, mas ele não veio me buscar na porta!!

Eu: Como assim??? Você não disse que ia na casa dele?

A amiga: Eu fui!! Mas eu queria que ele descesse para me buscar na portaria, e ele não foi.

Eu: Mas, lindona, quem abre a porta no prédio é o porteiro!!! Por que você não subiu??

A amiga: Ele tinha que descer e me buscar na porta!! Eu estou quase nua!… Ele está me ligando… não vou atender…

Eu: Mas o casaco parece um vestido!!! Volta lá agora e vai fazer sexo com ele!!

A amiga: Estou p#$%ˆ&* !!!… Não vou atender ele…

Eu: Quem está p#$%ˆ&* sou eu!!!! Você enlouqueceu?? O cara é o próprio Eriberto Leão! Como assim você vai deixar ele na mão?! Deixa de frescura e volta lá para ter o sexo da vida e me matar de inveja amanhã. Isto é uma ordem!

A amiga desaba a chorar….

Eu penso: Todos os hormônios dela se revoltaram e explodiram em uma revolta contra a liberdade sexual e optaram pelo celibato! É a única explicação…

Eu: Para de chorar e volta pra fazer sexo!… criatura, isto pode ser uma oportunidade única!

A amiga: Eu queria mais atenção…

Eu: A atenção vem depois de você deixar o cara doido por você na cama… Volta!

A amiga (agora brava): Não volto! E não vou atendê-lo nunca mais!

Eu: Nunca é um lugar que não existe… você vai se arrepender…

A amiga agradece o carinho e desliga…

Eu durmo inconformada. Acordo atrasada. Ligo o celular e lá vem um Whatsapp da amiga: “eu me arrependi… o que eu faço?”

Eu penso: Se mata!

 

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Dia 28 de junho é o Dia Mundial do Orgulho LGBT. A data traz à tona as dificuldades ainda existentes em nossa sociedade, mas também é reflexo de algumas conquistas e do quanto ainda precisamos entender sobre o tema.

Afinal, a luta por um mundo sem discriminações deveria ser bandeira de todos.

 

1. Orações para Bobby

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Dirigido por Russell Mulcahy, este filme norte-americano é protagonizado por nada mais nada menos que Sigourney Weaver, que interpreta Mary, uma mulher extremamente devota à fé cristã que, quando descobre que seu filho Bobby (Ryan Kelley) é homossexual, passa a submetê-lo a terapias e ritos religiosos com o intuito de “curá-lo”. Bobby sofre intensamente com a pressão de sua família e com o sentimento de não pertencimento social, o que leva a encontrar uma forma drástica de libertar-se dessa tortura. O ato de Bobby faz com que Mary inicie uma caçada por respostas que lhe ajudem a entender a condição do filho.

 

2. Imagine eu e você

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O filme inicia-se com a cerimônia de casamento de Heck (Matthew Goode) e Rachel ( Piper erabo). Durante a festa Luce (Lena Headey), a florista do evento, se apresenta a Rachel e desse encontro começa uma amizade. Posteriormente Rachel visita a floricultura de Luce e a convida para jantar com o casal, onde tem a intenção de apresentá-la a Cooper (Darren Boyd), mas durante a noite Luce revela-se gay para Heck. Aos poucos, as duas passam cada vez mais tempo juntas e Rachel começa a se questionar sobre seus verdadeiros sentimentos.

3. Boys don’t cry

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Teena Brandon é a protagonista da vida real que inspirou a história desse filme. Boys Don’t Cry relata sua vida como Brandon Teena: um jovem garoto do sexo feminino, mas que identifica-se com o gênero masculino. A história contempla sua trajetória como homem transexual, a ignorância da sociedade sobre a questão e sua tentativa de
viver uma vida dupla. Brandon surge em Falls City como um forasteiro que com o tempo encanta as mulheres da região e torna-se um grande amigo da comunidade. O único problema é que Brandon não é o que todos imaginam.

4. Hoje eu quero voltar sozinho

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Leonardo (Guilherme Lobo) é um adolescente cego, que tenta mudar o cenário de extrema proteção que seus pais lhe colocam. Sua busca por mais liberdade ganha impulso quando conhece Gabriel (Fabio Audi), um menino novo na cidade que começa a estudar em sua classe. A aproximação dos dois é cada vez mais intensa e Léo começa a viver novos sentimentos e a descobrir sobre sua sexualidade.

5. Tomboy

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Laure (Zoé Héran) se muda com os pais e a irmã caçula para uma nova cidade. Como se mudou há pouco tempo, ainda não conhece os vizinhos e um dia quando resolve ir à rua conhece Lisa (Jeanne Disson), que a confunde com um menino. Laure é uma menina de 10 anos, que usa cabelo curto e gosta de vestir roupas masculinas, aceita a
confusão e se apresenta como Mickaël. Sua família não sabe de sua falsa identidade e, desde então, ela começa a viver uma vida dupla.

 

6. Clube de compras allas

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Ron Woodroof é um homem heterossexual de Dallas que foi diagnosticado com AIDS durante uma das épocas mais obscuras da doença. Embora os médicos tenham lhe dado apenas 30 dias de vida, Woodroof se recusou a aceitar o prognóstico e criou uma operação de tráfico de remédios alternativos, na época, ilegais. Em uma de suas viagens ao México, Ron descobre que o AZT é altamente tóxico e que existe um tratamento alternativo com efeitos colaterais menores e maior expectativa de vida, e vê nisto a possibilidade de um negócio lucrativo: transportar a medicação não autorizada pela FDA para os Estados Unidos. Assim ele cria o Clube de compra Dallas, onde através de uma taxa de associação de $400,00 dólares mensais o paciente pode ter acesso à medicação que desejar. Apesar dos remédios serem vez ou outra confiscados, o tratamento alternativo mostra sinais positivos e Ron consegue postergar seus dias de vida muito além dos 30 dias que lhe foram prometidos no diagnóstico.

7. O Jogo da imitação

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A obra é a biografia de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), matemático inglês com capacidade inestimável para solucionar problemas de lógica. Unindo suas habilidades matemáticas à ciência da computação fez descobertas que contribuíram com as estratégias usadas pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, levando à vitória dos Aliados. No entanto, nem mesmo a grandiosidade de seus préstimos durante a guerra pôde pagar sua maior dívida com a sociedade inglesa: a homossexualidade.

8. Má Educação

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Enrique Goded (Fele Martínez) e Ignacio Rodriguez (Gael García Bernal) foram amigos íntimos durante a época da escola. Separados na adolescência, só conseguiram se reaproximar anos depois. Enrique, agora, é cineasta, que passa por um momento de dificuldade para criar um novo projeto, enquanto Ignacio é ator e parece ter uma
proposta para o problema de Enrique: um roteiro intitulado “A visita”. A história de Ignacio baseia-se na experiência de vida deles, marcada pela violação de um padre e pela separação. Enrique decide usar a história como base do seu próximo filme e, por causa de um isqueiro, vai até a casa de Ignacio e constata uma verdade surpreendente.

 

9. Azul é a cor mais quente

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Este filme, que tanto chamou atenção na época de sua estréia, conta a história de Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma adolescente que se apaixona por Emma (Léa Seydoux) e pelo charme de seus cabelos azuis. A relação delas ultrapassa sentimentos de amizade e se consolida numa ardente paixão. orém, o passar do tempo faz Adèle questionar novamente seus sentimentos e desejos, o que afeta fortemente o relacionamento delas.

10. Minhas mães e meu pai

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Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening) formam um moderno casal e juntas criam dois filhos, Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson), concebidos por meio da inseminação artificial de um doador desconhecido. O cotidiano da família muda quando Joni e Laser decidem conhecer o pai, aul, interpretado por Mark Ruffalo. aul é um adorável homem, dono de um restaurante, que passa a ter mais do que uma amizade com os filhos biológicos e este é exatamente o ponto que leva ao desequilíbrio da aparente estrutura sólida da família.

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“A sede por adrenalina é tanta que os olhos cegam.

Qualquer cheiro ou som que aguce os sentidos representa uma potencial fonte de satisfação.

Recebo o álcool e o ecstasy.

Na carne um desejo latente. Na mente o interior da tua saia.

Reinvento-me para essas vidas paralelas.

 

No trago absorvo o vazio e me atiro à feliz desgraça daquela janela do tempo. Em um ritmo frenético apago as memórias. Regurgito a alma. Abandono a casca. Despeço-me de mim. Por fim desligo. Sobram cicatrizes, cansaço, engulho. É a própria ressaca impregnada. Finjo que nunca mais e aguardo em repouso pela próxima janela.

No sexo invado a matéria, só quero adentrá-la. No ciúme quero sangue. Cravo as unhas, quero perdão. O pensamento não cessa, há pausa, há silêncio, mas ouço o sussurro. Parece demência, mas é só saudade. Tenho força, vou em frente. E pela covardia, lamento.

São golpes de palavras. Ficam o pó e os cacos não varridos. Estou consumida. É a própria ressaca impregnada. Dissimulo promessas e me deixo respirar até que o ar por fim me sufoque.”

 

Nada demais, apenas três amigas e um café: o meu laboratório social.

É claro, a dona do café sou eu, elas não conseguiram pedir ainda, uma porque está ocupada com seu cardápio de machos no whatsapp e a outra já decidiu dormir sozinha e, como quer realmente dormir, recusa cafeína.

Enquanto as histórias se desenrolam, observo, a intensas goladas, a postura majestosa, arrogante e, acrescentaria ainda, imponente de uma das minhas amigas. Ela, que é cheia de transas, descreve euforicamente cada detalhe das suas peripécias. E, após jogar seus orgasmos múltiplos no meu café, quando nos voltamos para o ritmo de tartaruga da vida sexual da minha outra amiga – que a passos lentos custa conseguir uma trepada – ainda interrompe cada capítulo da história para uma prévia do seu manual de acasalamento da mulher moderna.

A minha reflexão neste momento, ultrapassa o antagonismo que vivem as minhas amigas e seus respectivos talentos em atrair parceiros; e meu ponto de crise se estabelece em um antigo desejo que corriqueiramente percebo que ainda buscamos: a liberdade sexual.

O cotidiano é o hall dessa batalha e qualquer ponto que destoa a curva de moralidade, desde o uso de objetos até a vivência de práticas consideradas pervertidas, como o poliamor, SDSM¹, orgias e tantas outras, traduz uma quebra de tabu. Porque no fim o que queremos mesmo é explorar um gozo sem limites.

Mas, e quando encontramos pessoas que de todas as opções ainda preferem o tradicional, daquele jeito sussurrado, calmo e que, no fim, enlaça as mãos enquanto espera pelo café da manhã? Ou, até mesmo, as que decidem, simplesmente, se abster de qualquer atividade ligada ao coito? A imagem que tenho a minha frente deixa a sensação de que não entendemos o fato de que algumas pessoas não querem fotografias de sexo casual. E essa postura parece não refletir socialmente a mesma conotação libertária daquela evidenciada por alguém que se mostra mais proativa na busca pelo clímax.

Estou no segundo café, mas ainda no primeiro, diria que, estamos criando sem perceber um ambiente ditatorial por sexo. Há uma necessidade de estabelecer transas e qualificá-las. Um intenso exercício de comparação. Um pré-julgamento por falta de experiências. Uma prematura inicialização à prática. E um torpor ao saber que ofertas sexuais estão sendo negadas.

Mais do que sexualidade, essas reflexões a meu ver se referem à autonomia.

Quando saí da casa dos meus pais, vi realizado, de repente, aquele contínuo sonho de liberdade e o primeiro pensamento que me tomou foi que, dali em diante eu poderia fazer o que eu quisesse e nada me destituiria desse poder. O êxtase não durou muito tempo, consolidei minha independência em todas as vezes que disse não para o que eu não queria fazer. E enquanto fui julgada de careta, antiquada ou qualquer outro adjetivo, eu na verdade, só conseguia me sentir livre.

Porque entendi que liberdade não é o que você faz, mas sim, o que você sente quando faz a escolha que quer.

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Sem revelar a intimidade daquelas que já se instalaram sob a atmosfera de meu consultório, quero passear por uma das vicissitudes que nele mais se hospedou: o transtorno do desejo sexual hipoativo feminino.

De forma simplificada, este transtorno leva à diminuição ou à falta de fantasias sexuais, inibe a libido e faz com que a pessoa deixe de ter relações. Atualmente, ocorre com uma proporção considerável das mulheres – por volta de 26% da população brasileira – e se dá por fatores orgânicos, farmacológicos, psicológicos, relacionais e/ou culturais¹. As situações a ele concernentes são heterogêneas e vão desde dificuldades para ter relação com um parceiro fixo até a vivência de um longo período de abstinência sexual. Os tratamentos são variados e consideram os elementos situacionais, bem como, o perfil do paciente².

Mas, o intuito aqui não é entrar nos pormenores da patologia. Nem mesmo destrinchar as estatísticas geográficas de sua incidência. O fato é que presenciei com certa recorrência, discursos sobre este tema que quase sempre significavam: insegurança, sentimento de culpa e forte apego a mitos. Entendi, por fim, que muitas mulheres simplesmente desconhecem a própria anatomia. E o que vejo passear de forma assídua em minha sala é o retrato do descarte e da rejeição com relação ao conhecimento do corpo, porém, na forma de súplica de resgate.

Pensemos.

O corpo é um contínuo convite. Uma provocação incessante. Um campo de atração. É um eterno ir e vir de sensações, desde a dor algoz até o estremecer de prazer. Quanto tempo se espera até o sucumbir de seus ímpetos? Quantas vezes exercitamos um desejo sexual sem culpados, discordâncias ou critérios de desempenho? Quantas vezes nos proporcionamos um encontro com a nossa própria intimidade? Quantas vezes vivemos um desfecho de lençóis bagunçados e um único eco de sussurro?

Não é necessário ser perito no assunto para deduzir que a carga moral aplicada à conduta sexual feminina atua como um catalisador dessa notória passividade com relação ao próprio sexo. Conheci, repetidamente, monstros de natureza psicológica que foram encorajados a participar da vida sexual de mulheres que jamais reservaram um tempo para pensar sozinhas sobre o assunto e entender o que lhes dava prazer. Áreas erógenas, situações eróticas ou fantasias: nada foi estudado. Um infográfico do Happy Play Time³ revela que com certa frequência as mulheres relacionam a prática da masturbação com sentimentos de culpa ou vergonha e que, aproximadamente, 47% fazem o exercício menos de uma vez por mês no período de um ano – trivialmente a classe masculina é mais aplicada neste tema.

Iniciar uma vida sexual conjunta sem mesmo conhecer a própria nuance pode levar a uma visão frustrada de si mesma e do parceiro. Esse sentimento muitas vezes cria um processo de transferência de responsabilidade, culpando o outro pelos resultados insatisfatórios ou tomando para si essa carga. Nenhuma das implicações é justa, pois referimo-nos a mulheres que são nada mais que uma reserva de emoções inexploradas. A vivência de uma sexualidade aberta e íntima a si própria não é exatamente a cura para disfunções sexuais – que podem ser, inclusive, de ordem fisiológica. Essa sensibilidade com relação ao próprio sexo é muito mais uma medida profilática de agruras que podem surgir.

O autoconhecimento sexual é a porta que determina o que será reconhecido como deleite e o que traduz violação, na dimensão de cada indivíduo. Significa segurança para entregas e abertura para novas sensações. Sintonia com o próprio corpo e empatia com o alheio. Por isso, deixo um convite para a transcendência dos próprios sentidos. Uma pausa para apreciar os próprios detalhes. É momento de quebrar tabus. De espantar os monstros que nos atormentam, por meio de murmúrios acalorados. É momento de tocar-se: corpo e alma!

¹ http://www.psicnet.psc.br/v2/site/temas/temas_default.asp?ID=1846

²Converse com um especialista.

³ http://happyplaytime.com/infographic-the-secret-lives-of-vaginas/

Um pouco de diversão e aprendizado: http://happyplaytime.com/

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